Na segunda metade do século XIX, no Brasil Império,
ocorreram profundas modificações na estrutura do Exército,
coerentes com os progressos da arte militar mundial.
O País tinha a imperiosa necessidade de manter a integridade
do seu território tanto em face da cobiça estrangeira
como das ameaças internas.
Coube ao marechal Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias,
figura ímpar nas lutas internas do Império pela preservação
da unidade nacional, executar relevantes alterações
na estrutura organizacional do Exército Brasileiro. Quando
ministro da Guerra, lançou pela primeira vez, em nosso Exército,
em 1855, as bases da chamada Nova Escola, visando a renovar a doutrina
vigente e enquadrá-la às exigências da época.
Propôs a adaptação da tática elementar
das três Armas (Infantaria, Cavalaria e Artilharia), contida
nas ordenanças portuguesas, então em vigor no Exército,
dando-lhe fisionomia e personalidade tipicamente brasileiras.
Declarada a Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870),
o Exército foi reorganizado durante as primeiras operações
de combate. A Força só alcançou seu pleno desenvolvimento
depois de Caxias assumir o comando em 1867. Sofreu muitas modificações
no decorrer do conflito e chegou à forma de três corpos-de-exército,
que integravam divisões de Infantaria, Cavalaria, brigadas
de Artilharia, batalhões de Engenharia, esquadrões de
Transporte, repartições de Saúde, polícias
de Acampamentos e órgãos de Serviços. Cumpre
destacar, na constituição desse Exército, a presença
de 60 batalhões de voluntários e de numerosa guarda
nacional.
Quando a guerra terminou, os efetivos do Exército mantiveram-se
em torno de 11.500 homens no território nacional e 22.000 no
teatro de operações. Recorde-se que, no decorrer da
Campanha da Tríplice Aliança, o recrutamento tinha chegado
a 80.000 homens.
Nova estrutura organizacional do Exército ocorreu em 1887,
sob a direção do marechal Manuel Luis Osorio, quando
ministro da Guerra. A Força foi constituída de unidades
de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Transporte.
Exército Republicano
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| Batalha do Avaí |
Proclamada a República, em 1889, já em 19 de dezembro
do mesmo ano o governo provisório decretava nova reorganização
do Exército, planejada desde 1888. Não houve grandes
alterações no efetivo da Força: foram ampliados
o número de unidades e os quadros (oficiais e sargentos).
O quadro de oficiais-generais foi aumentado e teve modificada a denominação
dos respectivos postos. No ano de 1891, foi reorganizado o Corpo de
Saúde e o Serviço Hospitalar. Surgiu, nessa época,
a Contadoria Geral da Guerra, para a administração financeira
do Exército.
A Guarda Nacional foi reformada pelo governo provisório, para
ajustá-la à nova organização política
do Brasil. Por decreto de 5 de dezembro de 1890, ela tomou o caráter
de milícia federal e reserva do Exército, subordinada
ao Ministério da Justiça e, em cada estado, seu comando
passou a ser exercido por um oficial reformado do Exército.
A promulgação da Constituição de 1891
gerou a primeira reforma relevante do Exército, na República,
com a extinção, no mesmo ano, dos antigos Comandos das
Armas e a criação dos Distritos Militares, não
como divisão territorial de inspeção, mas como
comandos de tropa, que acumularam os Comandos de Guarnição
e Comandos de Fronteira.
Em 1896, iniciou-se novo esforço de reorganização
da Força Terrestre, sob a direção do ministro
da Guerra, general João Nepomuceno de Medeiros Mallet, filho
do marechal Emílio Mallet, Herói da Guerra da Tríplice
Aliança.
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| Rio de Janeiro. O Quartel-General de 1910 a
1941 (Projeção Histórica). |
Como resultado desse esforço, foi criado o Estado-Maior do
Exército (EME), que substituiu a Repartição do
Ajudante-General, existente desde 1856. O EME surgiu como uma assessoria
do governo para os misteres de preparação militar para
a guerra relacionados às hipóteses ao planejamento das
operações. Esse importante órgão, subordinado
ao ministro da Guerra, tinha como atribuições: prover
a organização do Exército; dirigir e executar
operações militares; organizar o plano geral de defesa
da República; distribuir e articular tropas, organizar o plano
geral de mobilização, de concentração
e de transporte; propor ao ministro da Guerra todos os meios referentes
à instrução e à disciplina da tropa.
Em 1898, o Exército encontrava-se organizado da seguinte maneira:
Ministério da Guerra, cujo órgão central
era a Secretaria da Guerra, dirigida pelo próprio ministro;
Estado-Maior do Exército; Intendência-Geral da Guerra;
Direção-Geral de Engenharia; Diretoria de Saúde;
Contadoria Geral da Guerra; e sete distritos militares: 1º -
Amazonas ao Piauí, com sede em Manaus; 2º - Ceará
a Pernambuco, com sede em Recife; 3º - Alagoas à Bahia,
com sede em Salvador; 4º - Espírito Santo, Rio de Janeiro,
São Paulo, Minas Gerais e Goiás, com sede no Rio de
Janeiro; 5º - Paraná e Santa Catarina, com sede em Curitiba;
6º - Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre e 7º -
Mato Grosso, com sede em Corumbá.
As colônias militares surgiram nesse período com a tarefa
de facilitar a colonização do interior e guarnecer as
longínquas fronteiras. Perduraram até 1913, recebendo
foros de cidades. Ressurgiram com a criação das unidades
de fronteira em 1930, que receberam a mesma missão das antigas
colônias.
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| O Quartel-General do Exército e o Campo
da Aclamação (Ex-Campo de Santana) na Proclamação
da República. |
À época, as Armas se organizavam em: Infantaria
40 batalhões a quatro companhias, armados com fuzil mauser
modelo 1891; Cavalaria 14 regimentos a dois esquadrões
de lanceiros e dois de clavineiros; um corpo de transporte a dois
esquadrões; Artilharia seis regimentos de Artilharia
de Campanha e quatro baterias de peças Krupp 71/2, seis batalhões
de Artilharia de Posição a quatro baterias e Engenharia
dois batalhões a duas companhias de sapadores e mineiros,
um de pontoneiros e um de telegrafistas e ferroviários.
O ensino militar foi reorganizado. Os estabelecimentos de ensino
instituídos foram os seguintes: as escolas regimentais; o Colégio
Militar; as escolas preparatórias e de tática de Realengo
e Rio Pardo e a Escola Militar do Brasil.
Merece destaque, ainda nessa reorganização promovida
pelo ministro Mallet, a criação, em 1899, do Tiro Nacional,
mais tarde transformado em Tiro-de-Guerra. Os tiros-de-guerra estão
até hoje em funcionamento em todo o País, como instituições
auxiliares da preparação das reservas do Exército.
O impulso dado pelo ministro Mallet à reforma das instituições
militares do Brasil imprimiu um movimento de renovação
e modernização que prosseguiu vigorosamente nos anos
subseqüentes.
Em 1915, novo decreto remodelou o Exército Nacional, constituindo-se
o Alto Comando com os seguintes órgãos: Ministério
da Guerra e Gabinete; Estado-Maior do Exército; Inspeção
de Armas; e os grandes comandos, isto é, as regiões
militares e grandes unidades.
A tropa foi organizada por Armas, cujas diferentes unidades se agrupavam
em cinco brigadas estratégicas: três de Cavalaria, uma
mista e unidades independentes ou isoladas.
Exército Pós - I Guerra Mundial
Por efeito da Primeira Guerra Mundial, em 1918 procederam-se novas
e importantes modificações na estrutura do Exército.
Extinguiu-se a Guarda Nacional, que passou a constituir o Exército
de 2ª Linha, cuja subordinação passou do Ministério
da Justiça para o da Guerra.
As unidades das Armas, inclusive as independentes, eram as seguintes:
Infantaria: 15 regimentos de três batalhões,
numerados de 1 a 45, e mais 12 batalhões de caçadores,
numerados de 46 a 57; 13 companhias (isoladas) de caçadores;
cinco companhias (das brigadas estratégicas) de metralhadoras;
Cavalaria: nove regimentos das brigadas de Cavalaria; cinco
das brigadas estratégicas (todos a quatro esquadrões);
12 pelotões de estafetas e cinco esquadrões de trem;
Artilharia: cinco regimentos a três grupos de (três
baterias de quatro peças e cinco baterias de obuses) e cinco
parques, das brigadas estratégias; três grupos a cavalo
(de duas baterias), das brigadas de Cavalaria; dois grupos de Artilharia
de Montanha; três batalhões de Artilharia de Posição
(a seis baterias) e seis a duas baterias; seis baterias independentes;
e
Engenharia: cinco batalhões e 17 pelotões independentes.
Os efeitos dessa reforma duraram pouco. O governo seguinte criou
a organização regional em moldes semelhantes à
estruturação atual. As brigadas estratégicas
foram transformadas em divisões de Infantaria, de organização
quaternária. As Inspeções Permanentes transformaram-se
em Regiões Militares. Pouco depois, com a Missão Militar
Francesa, contratada em 1919, processaram-se grandes transformações,
que fizeram sentir-se a partir de 1921.
Surgiu o novo regulamento para os exercícios e o combate da
Infantaria. Entraram em atividade novos estabelecimentos de ensino
sob a ação direta de instrutores franceses: a Escola
de Aperfeiçoamento de Oficiais e a Escola de Estado-Maior,
onde foi criado um curso de revisão para os oficiais anteriormente
diplomados. Deu-se nova organização ao Exército
ativo em tempo de paz. A Cavalaria independente se organizou em divisões,
em vez de brigadas. Surgiram os grupos de combate como elemento básico
de organização da Infantaria e da Cavalaria.
Foi criado o Ministério da Aeronáutica, passando a
Força Aérea Brasileira a constituir, a par da Marinha
e do Exército, um terceiro elemento das Forças Armadas.
A existência do Exército do tempo de paz, dominada pela
idéia de que sua finalidade principal era o preparo das forças
terrestres nacionais para a guerra e o núcleo de organização
e enquadramento do potencial militar pelo mecanismo da mobilização,
foi a principal influência recebida da Missão Militar
Francesa.
No biênio 1934-1935 surgiram leis orgânicas, que visavam
efetuar reformas básicas no Exército, com leis que regulamentaram
o Conselho de Segurança Nacional, as promoções,
a movimentação dos quadros de oficiais e a organização
geral do Exército, do Ministério da Guerra e de quadros
e efetivos.
A Lei de Quadros e Efetivos, de 1934, definiu a existência
dos corpos de tropa, isto é, das unidades das armas e formações
dos serviços, dos órgãos de comando, da administração,
de instrução e os diversos estabelecimentos que utilizavam
quadros e efetivos militares, oficiais e praças. Por essa lei,
as tropas do Exército passaram a constituir cinco divisões
de Infantaria, três divisões de Cavalaria, um destacamento
do Oeste, um destacamento do Norte, a reserva geral, unidades especiais
de fronteiras e de serviços.
As unidades especiais eram as unidades-escolas, tropas de fronteira,
de guardas, e os contingentes dos estabelecimentos de serviços
(Intendência, Saúde, Remonta, Veterinária, Material
Bélico, Fundos, Transmissões, Transportes, Identificação
e Justiça).
Exército Pós - II Guerra Mundial
Constituiu-se, em 1941, uma comissão mista Brasil-Estados
Unidos da América (EUA), de cujos trabalhos resultou a Força
Expedicionária Brasileira (FEB). Em 1942, o Brasil entrou na
II Guerra Mundial ao lado dos Aliados.
Após a guerra, o Estado-Maior do Exército trabalhou
de 1944 a 1969 na reorganização, na reestruturação
e no reaparelhamento da Força Terrestre. Foi instituída
no Brasil, uma Missão Militar norte-americana, tendo sido firmado,
em 1952, o Acordo de Assistência Militar com os EUA, que viria
a perdurar até 1976.
Antes disso, em abril de 1946, estabeleceu-se, por decreto, a constituição
das Forças Armadas em Exército, Marinha e Aeronáutica,
com os seus elementos de atividade permanente, organizações
de reserva e auxiliares quando convocados. A essas Forças foi
atribuída a missão comum, em tempo de paz, de preparar
a mobilização militar e manter a ordem legal; em tempo
de guerra, proteger as realizações da mobilização
total e executar as operações de guerra. Como chefe
supremo dessas Forças, foi designado o presidente da República,
auxiliado pelo Conselho de Segurança Nacional e pelo Estado-Maior,
depois denominado Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Esse
órgão teve um arcabouço misto, destinado a preparar
as decisões relativas à organização e
ao emprego em conjunto das Forças Armadas, tendo em vista o
estabelecimento de um plano de guerra.
Também no ano de 1946 ressurgiu a Lei de Organização
do Exército, criada em 1935. Nos seis anos seguintes processou-se
o reajuste do Ministério da Guerra. Em 1952 este passou a ser
constituído pelos seguintes órgãos: o Alto Comando,
a Inspetoria Geral do Exército, o Estado-Maior do Exército,
o Departamento Geral de Administração, o Departamento
Técnico e de Produção e os Comandos das Armas.
Estes corresponderam a quatro zonas militares, os presumíveis
teatros de operações, e a Secretaria-Geral do Ministério
da Guerra. Junto ao ministro acomodaram-se, além de órgãos
eventuais, os permanentes: a Comissão de Economia da Guerra,
a Consultoria Jurídica do Ministério da Guerra e a Comissão
de Orçamento. Existia ainda um Conselho Superior do Comando
e Administração, que se constituiu com o inspetor-geral,
os chefes do Estado-Maior do Exército, do Departamento-Geral
de Administração, do Departamento Técnico e de
Produção e os comandantes das Armas.
Em 1952, com a promulgação da Lei nº 1.632, que
reestruturou o quadro de oficiais-generais e complementou o de oficiais
das Armas e Serviços, foi preciso rearticular os diferentes
órgãos do ministério e atualizar a Lei de Organização
dos Quadros e Efetivos. No ano de 1956, foram criados os Exércitos
(I , II, III e IV) e o Comando Militar da Amazônia, com sede
em Belém do Pará. A articulação da Força
no território nacional era semelhante à dos dias atuais.
Guerra Moderna
Nas últimas quatro décadas do século XX, o Exército
conduziu, por si só, a formulação e o desenvolvimento
de uma doutrina de emprego da Força Terrestre condizente com
a realidade brasileira. Para isso, beneficiou-se das experiências
militares de vários países.
Nas décadas de 1960 e 1970, foram lançadas as bases
para a reformulação da Doutrina Militar Brasileira,
sendo introduzida nova metodologia de planejamento, e criadas as divisões
de Exército, constituídas por um número variável
de brigadas em substituição às antigas divisões
de Infantaria.
Também foram criados diferentes tipos de brigada e batalhão,
com destaque para as brigadas blindadas e os batalhões logísticos.
Foi implementada nova estrutura para as regiões militares (RM),
através do Projeto RM, dando-lhes maior flexibilidade organizacional
e melhor desempenho das atividades logísticas. Foram criados
os parques regionais de manutenção, subordinados às
RM, organizações fundamentais para a permanente manutenção
dos equipamentos e materiais da Força Terrestre.
Nesse período, a execução do Plano Diretor para
a reorganização e reestruturação da Força
Terrestre, elaborado pelo Estado-Maior do Exército em 1965,
proporcionou significativos avanços à evolução
do Exército.
A partir de 1980, o Exército deu continuidade à sua
política básica de atualização da doutrina
militar. A organização e o aparelhamento do Centro Tecnológico
do Exército (CTEx) representaram, sem dúvida, o fortalecimento
do Poder Militar Terrestre, pela absorção das mais modernas
tecnologias.
Tiveram seguimento os trabalhos de reaparelhamento, para dotar o
Exército com equipamentos e materiais de fabricação
nacional.
O Plano Diretor do Exército (PDE) foi definitivamente institu-cionalizado,
concretizando-se, assim, o ciclo completo de planejamento e programação
do Exército, o que serviu para racionalizar e tornar mais eficaz
a administração da Força e, principalmente, proporcionar
continuidade administrativa. No transcurso do ano de 1984, o Exército,
após realizar uma avaliação estratégico-militar
terrestre da conjuntura, iniciou a implantação do Sistema
de Planejamento do Exército (SIPLEx), com a finalidade de melhor
cumprir sua missão constitucional.
O período de 1985 a 1990 foi de intensas modificações
na estrutura organizacional do Exército. Grandes transformações
foram planejadas e executadas, tanto na composição da
Força, quanto na base física e doutrinária das
Armas.
Em 1985, foram extintos os I, II, III e IV Exércitos, e criados
os comandos militares de área, cuja organização
perdura até os dias atuais. Prosseguindo nas modificações
estruturais, em 1986 a organização básica do
Exército foi aprovada, consistindo em:
órgãos
de Direção-Geral: Alto Comando do Exército; Estado-Maior
do Exército e Conselho de Economia e Finanças;
órgãos
de Direção Setorial: Departamento-Geral do Pessoal;
Departamento de Ensino e Pesquisa; Departamento de Material Bélico;
Departamento de Engenharia e Comunicações; Departamento-Geral
de Serviços e Secretaria de Ciência e Tecnologia;
órgãos
de Assessoramento: Gabinete do Ministro do Exército; Consultoria
Jurídica do Ministro do Exército; Centro de Comunicação
Social do Exército; Centro de Informações do
Exército; Secretaria-Geral do Exército; outros conselhos
e comissões;
órgãos
de Apoio: diretorias ou centros integrantes dos órgãos
de Direção Setorial;
Força
Terrestre em tempo de paz: comandos militares de área; e
Entidades
vinculadas: Indústria de Material Bélico do Brasil e
Fundação Habitacional do Exército.
O Projeto Força Terrestre 90 foi implementado e teve como
metas: nova estruturação do Exército; o complemento
de pessoal e equipamento; a aquisição de blindados;
a efetivação do Centro de Instrução e
Guerra Eletrônica; a pesquisa e o desenvolvimento; a formação
do pessoal e a implantação da infraestrutura da instrução
militar; Aviação do Exército e a informatização
do Exército.
Nesse contexto desenvolveu-se o Programa Calha Norte, com a ocupação,
pelas tropas do Exército, dos pontos sensíveis na faixa
da fronteira amazônica setentrional.
Força Terrestre 2000
O ano de 1990 significou o fim da etapa de curto prazo do planejamento
que teve por objetivo modernizar a Força. Caracterizou o fim
de um período e, da análise de seus resultados, foram
inseridas as principais indicações para o prosseguimento
da modernização do Exército, bem como a ultimação
dos planejamentos para o início da Força Terrestre 2000.
O Sistema de Planejamento do Exército, na década de
90, continuou a evoluir. Foram aprovados também o Plano de
Estruturação da Força Terrestre, a Concepção
Estratégica do Exército e diversas diretrizes relativas
à Defesa Interna, Territorial e de Mobilização.
O Plano de Estruturação do Exército, aprovado
em 1995, prosseguiu coerente com o esforço do governo federal
em assegurar o ajuste necessário à manutenção
da estabilidade econômica do País, mantendo um nível
aceitável de operacionalidade, racionalizando estruturas e
procedimentos e otimizando a aplicação dos recursos
orçamentários.
O reaparelhamento efetivado logrou importantes realizações,
principalmente quanto ao completamento das organizações
militares, no desenvolvimento da Aviação do Exército,
na informatização, na ampliação de campos
de instrução e no Sistema de Comando e Controle.
A estrutura organizacional do Exército Brasileiro encontra-se,
atualmente, integrada à estrutura de comando no âmbito
do Ministério da Defesa e com as demais Forças Singulares
perfeitamente ajustadas às metas estratégicas estabelecidas
no SIPLEx.
A Força Terrestre está organizada e articulada em Força
de Segurança Estratégica e reservas Local, Estratégica
e Geral, localizadas em áreas estratégicas, desde o
tempo de paz, com o objetivo de manter a integridade da fronteira
terrestre e atuar eficazmente no cumprimento da missão constitucional.
Ao final de 2000, foram extintos o Departamento de Material Bélico
e o Departamento-Geral de Serviços, que deram lugar ao Departamento
Logístico.
Quanto à evolução do Exército dimensionada
para o primeiro quarto do século XXI, período em que
se expressa a prevalência dos valores qualitativos sobre os
quantitativos, o planejamento vigente prevê o prosseguimento
da modernização, da racionalização, da
profissionalização e do completamento da Força
Terrestre. O objetivo é elevar o seu nível de capacitação
operacional, pela permanente atualização das metas de
preparo de curto, médio e longo prazos. São previstos,
ainda, a ampliação da presença de tropas na Amazônia;
a estruturação definitiva da Força de Mobilização
como vetor de expansão da Força Terrestre no caso de
conflito armado; e a manutenção do Exército Ativo
com cerca de 200.000 militares.
No dia 03 de fevereiro de 2000, o comandante do Exército, após meditar sobre os destinos da Força Terrestre e avaliar em profundidade as conjunturas que a afetam, expediu as "Orientações Gerais ao Exército".
Em suas orientações, o comandante do Exército afirmou que determinara ao Estado-Maior do Exército (EME) proceder estudos no sentido de questionar a concepção estratégica da Força Terrestre e, por conseqüência, a sua estrutura organizacional básica e articulação. Além disso, ordenara ao EME que fizesse uma avaliação da qualidade da gestão administrativa.
Muito se trabalhou no ano recentemente findo para se repensar e se aperfeiçoar o Exército Brasileiro, capacitando-o a cumprir suas tarefas constitucionais na época atual e a médio e longo prazos.
As premissas básicas consideradas pela Força Terrestre no processo de sua reestruturação foram as seguintes:
- transição da Estrutura Militar de Paz para a Estrutura Militar de Guerra;
- priorização das áreas estratégicas;
- implantação gradual; e
- restrições orçamentárias.
No decorrer dos longos estudos efetuados pelo Comando da Força Terrestre e escalões subordinados, foram definidos aspectos que materializam as prioridades do Exército Brasileiro e a necessidade de racionalização dos meios disponíveis. São os seguintes:
- conveniência de reunir atividades afins em um mesmo órgão de Direção Setorial;
- a otimização do Sistema de Comando e Controle;
- a Logística operacionalizada por atividades funcionais em detrimento dos serviços técnicos;
- a existência das seguintes áreas estratégicas prioritárias: Amazônia, Centro-Oeste e Bacia do Prata;
- a necessidade de adequada capacitação para resposta efetiva e compatível com situações de crise e guerra; e
- o exercício, de forma seletiva, da Estratégia da Presença em todo o território nacional.