Modernização do ensino: A evolução de nossas escolas
 
O ensino no Exército Brasileiro sempre se destacou pela qualidade, organização e seriedade com que é tratado pela Força e, sobretudo, pela sua característica de estar em constante processo de atualização.

O mercado de trabalho vem exigindo, a cada dia, a figura de um profissional dinâmico, comunicativo, capaz de adaptar-se a situações adversas e que busque, constantemente, o auto-aperfeiçoamento. No meio militar as exigências não são diferentes.

A fim de manter essa vitalidade, o Estado-Maior do Exército (EME) iniciou, em 1994, o processo de modernização do ensino visando a tornar os recursos humanos da Força capazes de acompanhar os avanços da era do conhecimento e de integrar o Exército do século XXI.

Assim, o EME conduziu um simpósio sobre ensino, com participação de destacadas personalidades e educadores, civis e militares, brasileiros e estrangeiros, cujas conclusões foram publicadas no documento "Política Educacional para o Ano 2000". Essa Política considerou, principalmente, o quadro da acelerada evolução científica e tecnológica, da informática, da velocidade de difusão da informação, das transformações do ambiente (político, econômico, social e militar), das novas formas das estruturas (institucionais, não-institucionais e organizacionais) e dos efeitos da globalização.

A Evolução do Processo de Modernização

Melhores condições para o ensino

A Política Educacional destacou a importância de ser retomado o conceito original de educar, em que o aluno ocupa a posição central e mais relevante do ato pedagógico. Para tal, atribuiu ênfase à formação geral, à reformulação curricular e à adoção de mecanismos de incentivo ao "aprender a aprender".

Em 1995, o Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP) determinou ao Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx) que aprofundasse o estudo do sistema de ensino. Ainda em 1995, o DEP deu prosseguimento aos estudos do CPEAEx e constituiu o Grupo de Trabalho para o Estudo da Modernização do Ensino (GTEME), composto de instrutores experimentados, pedagogos, sociólogos e psicólogos, com a missão de encontrar respostas às aspirações da Instituição: "o que ensinar; como ensinar; como avaliar e como aumentar o intercâmbio com os outros sistemas de ensino".


Com isso, os estabelecimentos de ensino do Exército Brasileiro vêm se modernizando e adquirindo nova prática educativa, melhor preparando nossos recursos humanos para assumir essa nova postura.

Desse modo, em 08 de fevereiro de 1999, foi aprovada a Lei de Ensino nº 9.786, que foi regulamentada em 23 de setembro de 1999, pelo Decreto nº 3.182, dando início à reformulação da legislação do sistema de ensino militar. O EME e o DEP já estabeleceram suas diretrizes conseqüentes, normatizando a expedição dos títulos de graduação e de pós-graduação.

Atividades extra-curriculares

Os estabelecimentos de ensino promoveram a reformulação curricular, selecionando "o que ensinar", o que permitiu ao DEP aprovar os Planos de Disciplinas (PLADIS) e de Áreas de Estudo (PLAEST).

Nessa nova dinâmica, o instrutor surge na sala de aula não mais como o detentor de todo o conhecimento, mas sim como o mediador do processo ensino-aprendizagem, o que exige muito mais dele. Ele precisa ter um conhecimento muito mais amplo, para orientar o aluno e rever posturas inadequadas; precisa direcionar o aluno para o caminho certo; precisa estimular o aluno a superar desafios. Em sala de aula, o instrutor propicia ambiente de interação e desenvolve, bem como avalia, atributos da área afetiva, tais como: comunicabilidade, iniciativa, adaptabilidade e cooperação.

A avaliação também sofreu mudanças significativas para acompanhar o novo processo de ensino. As provas que valorizavam a memorização não mais são objetos de avaliação em nossas escolas. Provas de consulta tomaram lugar da memorização. Elas são elaboradas com questões subjetivas, que exigem muito mais esforço do aluno em solucionar problemas que ele poderá encontrar no dia-a-dia das organizações militares.

Outra forma de avaliação que vem se tornando uma prática constante é a prova virtual, realizada em computador, a exemplo do que ocorre na Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos em Cruz Alta (RS) - a EASA.


Várias questões administrativas, integradas ao sistema virtual, são colocadas como desafio prático ao aluno. Para resolvê-las, o aluno precisa, além dos conhecimentos de informática, usar o banco de dados criado na rede interna EASA, com informações relativas às seções administrativas de uma organização militar.

Dentre as atividades extra-curriculares, podemos falar do Projeto Biblioteca, que faz parte do Processo de Modernização do Ensino, citando, como exemplo, as bibliotecas da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) no Conjunto Principal I, a Biblioteca Marechal José Pessoa; e no Conjunto Principal II, a Nova Biblioteca Acadêmica – interligadas pelo Corredor Cultural, espaço nobre onde se acham expostas as bandeiras históricas, telas, armaria, relíquias e condecorações evocativas das tradições e valores do Exército e da AMAN. Os cadetes utilizam a nova biblioteca acadêmica munidos de seus cartões de código de barra, para a identificação do usuário e empréstimo de livros imediato. A busca do conhecimento, disperso em milhares de volumes de obras didáticas selecionadas, é obtido pela Internet.

Orientados pelos seus professores e instrutores, os cadetes têm, nas prateleiras de livros ou nos computadores do laboratório de informática, os seus principais locais de pesquisa. A livraria, que funciona no espaço contíguo à biblioteca, permite ainda a aquisição individual de obras disponíveis no mercado e das obras editadas pela Biblioteca do Exército.

A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, na implementação dos projetos facilitadores da modernização do ensino, igualmente vem incentivando a utilização das bibliotecas e dos seus meios de informática.

Na busca do conhecimento, a utilização de biblioteca, laboratório de informática e os seus principais locais de pesquisa

A modernização do ensino trouxe modificações importantes também na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) para as Armas, Quadros e Serviços, e no Curso de Aperfeiçoamento Militar (CAM) para o Quadro Complementar de Oficiais, o Quadro de Saúde e o Quadro de Engenheiros Militares. O CAO passou a ser realizado em dois anos, sendo o primeiro a distância e o segundo ano presencial. O CAM, para os oficiais médicos, foi dimensionado para ser realizado em dois anos, um ano pelo sistema do telensino e outro, presencial, com duração de três meses. Para oficiais do Quadro Complementar de Oficiais, do Quadro de Saúde, (não-médicos) e do Quadro de Engenheiros Militares, o CAM é realizado a distancia e durante um ano.

Essa atualização está sendo efetivada não apenas nas escolas de formação, aperfeiçoamento e altos estudos, mas também na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), nos colégios militares e nos órgãos de formação de oficiais da reserva.

O novo perfil desejado dos Órgãos de Formação dos Oficiais da Reserva (OFOR) exigiu uma ampla reformulação curricular, com a finalidade de propiciar as melhores condições para o prosseguimento do ensino universitário dos alunos. Atrair o universitário para o serviço militar e transformá-lo num elo da Força Terrestre com os diversos segmentos da sociedade brasileira passou a ser o grande propósito do Exército.

 

 
 
Voltar
Copyright © - Centro de Comunicação Social do Exército - Todos os Direitos Reservados.
Melhor visualizado em resolução 1024x768