Luiz Barbalho Bezerra
 

O Herói da Resistência Baiana

O pernambucano Luiz Barbalho Bezerra é personagem proeminente da História do Brasil, consagrado na luta contra as tropas de ocupação holandesas. Durante dez anos, esse bravo combatente bateu-se efetiva e eficazmente em defesa da integridade do saliente nordestino. Participou, assim, de inúmeros combates contra as forças flamengas, como os do Arraial do Bom Jesus, de Nazaré e Porto Calvo. Atuou, ainda, de forma destacada em sangrentas refregas travadas ao sul do rio São Francisco, em território da então Capitania da Bahia, tendo por isso mesmo passado à posteridade como "O Herói da Resistência Baiana".

Em virtude de haver falecido prematuramente no ano de 1644, não pode participar dos episódios que levaram à derrota definitiva e conseqüente expulsão do invasor de seu torrão natal.

Na gloriosa saga guerreira de Luiz Barbalho Bezerra, avulta de importância a memorável Batalha de Salvador, ocorrida em maio de 1638. Ante a aproximação da Baia de Todos os Santos de uma força holandesa de 5.000 homens e 40 navios — comandada pelo príncipe Maurício de Nassau —, Barbalho conduziu, em tempo reduzido, a construção de um forte, que hoje ostenta o seu nome, à frente de 1.000 homens. A luta que se seguiu transformou-se em verdadeira carnificina, haja vista a pequena distância entre os contendores e o incessante bombardeio da tropa invasora. No auge da peleja, o bravo capitão nordestino arremeteu de surpresa sobre a retaguarda do inimigo, obrigando-o a retirar-se precipitadamente.

Com essa vitória luso-brasileira, pôs-se termo no paradeiro de triunfo das armas flamengas no Brasil. A reconquista iria ter início alguns anos depois.

Outra grande ação relevante da "guerra brasílica" que consagra Luiz Barbalho Bezerra como um notável guerreiro foi o difícil deslocamento por ele efetuado em 1639, do litoral pernambucano até Salvador, retardando o poderoso inimigo por meio de táticas de guerrilha. A despeito do lastimável estado de sua tropa — muitos feridos, pouca munição e sem ter o que comer —, consegue o indômito chefe militar infringir perdas consideráveis às bem equipadas forças holandesas, evitando a destruição do contingente que comandava.

Pelo exposto, verifica-se que a epopéia de Barbalho é plena de exemplos de acentuado espírito militar e acendrado amor à terra natal. Por ter atuado diuturna e bravamente na primeira fase do inolvidável movimento nativista que resultou na expulsão do invasor flamengo, percorrendo várias vezes o interior baiano, suas virtudes servem de referência para o soldado verde-oliva que hoje guarnece essas plagas.

Assim, como justo reconhecimento pela dedicação de Luiz Barbalho Bezerra em favor da preservação da unidade e da integridade da Pátria nascente, seu augusto nome foi utilizado pelo Exército Brasileiro para servir de denominação histórica ao 35º Batalhão de Infantaria, sediado em Feira de Santana, no Sertão da Bahia.

 

 
 
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