Região Nordeste
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Autoritário despropositado, ultrajante e possível estopim de
guerras de invasões - era dessa forma que os franceses, e veladamente
outras nações, como a Holanda, encaravam o Tratado de Tordesilhas,
a linha imaginária que dividiu os territórios do Novo mundo,
a América, entre portugueses e espanhóis. Para a França,
assim como para outros países não-signatários do acordo,
valia, na prática, o princípio do uti possidestis - a terra
pertence a quem dele toma posse e coloniza. O Nordeste talvez tenha sido a
região que mais sentiu os efeitos dessa espécie de lei da terra
sem dono.
Sistematicamente, nos séculos seguintes, cada praia, cada enseada,
cada pequeno vilarejo ou cidade desta região, esteve sob a mira permanente
de aventureiros, corsários e mesmo de poderosas frotas navais, que
cruzavam o Atlântico para vir aqui estabelecer colônias ou simplesmente
pilhar as riquezas.
Em Salvador, alguns dos mais belos fortes que hoje ornamentam a Baía
de Todos os Santos foram os mesmos que, em tempos remotos, defenderam a Bahia,
com bravura, de invasões. Já em Recife as fortificações
lembram as duas décadas que Pernambuco esteve sob domínio holandês.
Em todos os fortes, nessas e em outras cidades do Nordeste, contudo, há
um traço humanístico comum: a história de pioneiros que,
não raro, deram a vida pela integridade do território. E também
daqueles que durante a Colônia, O Império e a República
estiveram em seus calabouços por lutarem por ideais políticos,
sociais e raciais.
Não muito diferente é a rotina dos faróis. Há
aqueles erguidos em pontos do oceano. Outros dividem espaço com prédios
no meio das cidades. Alguns estão em recantos paradisíacos.
Mas neles, antes de tudo, trabalham os faroleiros, esses homens que, na calada
da noite, zelam pelos barcos que cruzam os mares nordestinos.