O
Quadro de Material Bélico realiza o apoio logístico voltado
para a manutenção do material bélico, principalmente,
os armamentos, as viaturas e as aeronaves. Inclui-se aí, o suprimento
de peças e conjuntos de reparação destinados a esses
materiais. Cuida ainda, do suprimento de combustíveis, óleos,
graxas e lubrificantes para motores e máquinas.
O Exército Brasileiro criou o Quadro de Material Bélico (QMB),
em decorrência da participação brasileira na II Guerra
Mundial. Segundo estudiosos de história militar, a última grande
guerra teria sido vencida, principalmente, pela Logística. Graças
a esta, os blindados de Patton e as viaturas de Bradley mantiveram-se em estado
permanente de disponibilidade. Essa eficácia operacional resultou da
capacidade dos exércitos aliados de manterem seus veículos em
funcionamento quase ininterruptamente. A Força Expedicionária
Brasileira pôde comprovar, naquela ocasião, esses exemplares
padrões de manutenção e suprimento.
Portanto, dessas lições históricas veio a criação
do QMB.
A Constante Necessidade
A
assertiva do imperador francês Napoleão Bonaparte Os exércitos
marcham sobre seus estômagos ganhou roupagem nova na guerra moderna
de armas tecnologicamente sofisticadas.
Na verdade, podemos afirmar que, conforme têm demonstrado os conflitos
recentes, os exércitos marcham sobre seu apoio logístico.
De 1959 até os dias atuais, muito se fez pela evolução
do Quadro de Material Bélico. O desafio, agora, é dar continuidade
a esse esforço evolutivo. Para isso, dispomos de muitos casos por estudar,
como, por exemplo, as experiências de forças brasileiras em Moçambique
e em Angola, na presente década.
Devemos ter em mente que a má logística do material pode resultar
em derrota militar e em efeitos devastadores sobre o moral da tropa. O sucesso
na guerra depende, em grande parte, do apoio logístico.
E, dessa infra-estrutura logística eficiente e rápida, destacamos,
hoje, as atividades de manutenção, transporte e suprimento de
material bélico.
Evolução Doutrinária do Quadro de Material Bélico
O
desenvolvimento de uma doutrina específica para o emprego do Quadro
de Material Bélico baseou-se, inicialmente, na Portaria nº 155
Reservada, de 31 de outubro de 1962, que se referia à organização
do Material Bélico.
Durante vários anos, manuais estrangeiros adaptados à realidade
brasileira foram utilizados nos cursos de formação e aperfeiçoamento
de Material Bélico.
Em 1982, foi editado o Manual C 9-7 Companhia de Material Bélico
do Batalhão Logístico, primeiro documento a regular o emprego
em campanha de uma organização militar do Quadro. Dois anos
depois, surgia o C 29-15 Batalhão Logístico.
Em 1986, foi editado o Manual de Campanha C 9-1 Emprego do Material
Bélico, com doutrina que preconizava para o Quadro as seguintes missões:
Em 1993, o Manual C 100-10 Logística Militar Terrestre adotou
uma visão sistêmica da logística (aprofundada, posteriormente,
pelo novo C 100 5 Operações, edição
1997), que estabeleceu, como apoio logístico ao combate, as missões
de prever, prover e manter a Força nas áreas de material e pessoal.
(Texto baseado em artigos publicados na revista "Material
Bélico" Mais de dois séculos de História,
da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.)
O Material Bélico e a Logística: vitais para os exércitos!
Os
últimos conflitos ratificaram a importância cada vez maior do
papel da Logística como interface entre todos os níveis do espectro
estratégico-operacional. Mais do que multiplicador de combate, a Logística
passou a ser definidora do curso das guerras.
No próximo século, os exércitos evoluirão à
medida que sejam capazes de assimilar doutrina e organização
modernas, bem como treinamento e uso intensivo de tecnologia avançada.
A Logística militar do século XXI terá como características
fundamentais: agilidade, visibilidade, flexibilidade, confiabilidade, previsão
e pronta resposta, sendo também fruto de relacionamento com a indústria
e a pesquisa.
No
Exército Brasileiro, como resposta às necessidades de integração
e racionalização, o Departamento Logístico, oriundo da
fusão do Departamento de Material Bélico e do Departamento-Geral
de Serviços, passa a realizar de forma centralizada todas as funções
logísticas (prever, prover e manter) relativas à área
do material, por meio de diretorias identificadas com as atividades de suprimento,
transporte, mobilização e manutenção.
O Quadro de Material Bélico, vem reunindo experiências diversificadas
que solidificaram seu papel no apoio logístico às operações
militares, tomando parte de exercícios de adestramento em todos os
rincões do País e contribuindo para a preparação
das tropas brasileiras enviadas ao estrangeiro em missões de paz. Igualmente
vem constituindo peça fundamental na supervisão e execução
rotineiras de manutenção e fornecimento de suprimentos.
O patrono do Quadro de Material Bélico é o Tenente-General
Napion.