
3º
Pelotão da 2ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria, ocupava,
desde 10 de março de 1945, a posição defensiva da Região
de Biccochi, Cota 930, quando, às 5h do dia 12 de abril, recebeu ordem,
por via telefônica, para organizar uma patrulha de reconhecimento, que,
sob o comando de um sargento, teria por missão reconhecer a elevação
de Montaurigula e, caso não encontrasse resistência, chegar até
Montese.
A patrulha, fortemente armada, com 21 homens, sendo três especialistas
em minas, partiu às 9h da sua posição de combate (Biccochi),
alcançando Montaurigula sem resistência. Galgou essa elevação
e progrediu na encosta sul, rumo geral leste-oeste. Após atingir a
metade da elevação, que possuía a forma de uma colina
alongada, encontrou um campo de minas antipessoal; o esclarecedor da patrulha
já havia caminhado alguns passos dentro do campo, quando percebeu,
por sorte e felicidade, as minas, pois algumas achavam-se expostas. Passou,
então, a atuar a equipe de minas, retirando 82 minas antipessoal.
"Na jomada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas
irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu
espírito ofensivo, a Divisão Brasileira está em condições
de ensinar às outras como se conquista uma cidade".
Gen Crittenberger - Cmt IV Corpo de Exército
Após cerca de 2 horas de espera, a patrulha transpôs o campo
minado, prosseguindo na missão.
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Montese: ontem e hoje
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O moral da tropa atacante era alto; havia gana por parte de alguns soldados,
o que levou o comandante do pelotão a conter aqueles que se expunham
inutilmente.
Quando o comandante do pelotão realizava os reconhecimentos para assaltar
algumas casas "suspeitas" no flanco direito do inimigo, recebeu
ordem do comandante da companhia para se desengajar e afastar-se das casas,
posto que o Batalhão iria bombardear as resistências inimigas
com morteiros 81mm, visando facilitar a conquista do objetivo.
Ao ultimar o reconhecimento de outro flanco, o comandante da patrulha recebeu
ordem para retrair, porque a Artilharia Divisionária iria atirar na
região e a patrulha já havia ultrapassado, em muito, o tempo
programado.
FASES DO ATAQUE A MONTESE - A conquista da cidade de Montese, que era a missão
principal da 2ª Companhia, foi planejada para ser realizada em duas fases
bem distintas:
1ª Fase: Missão secundária, às 9h - ataque com
dois pelotões a dois postos avançados do inimigo.
2ª Fase: Missão principal, às 12h - ataque à cidade
de Montese, também com dois pelotões.
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Campo minado em Montese
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Na hora prevista, para a 1ª fase, os dois pelotões atacaram seus
objetivos. O primeiro teve, inicialmente, o seu avanço prejudicado
pela reação do inimigo, que conseguiu mantêlo à
distância, pelos fogos. Assim, só conquistou o objetivo algumas
horas depois.
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Conquista de Montese - II Guerra Mundial - Tela de
A. Martins
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O 2º Pelotão ficou detido em frente a um campo minado, batido
por fogos da Infantaria. Nessa oportunidade, seu bravo comandante foi mortalmente
ferido com um tiro na cabeça. Esse pelotão sofreu mais baixas
e não atingiu o objetivo.
Às 11:45h, o comandante da companhia confirmou a "hora H"
do ataque principal como sendo a prevista - 12h.
Na hora aprazada, o pelotão do 1º escalão transpôs,
em linha, a crista, sob o espocar de foguetes de estrelas vermelhas, anunciando
o ataque. A tropa ultrapassou os pontos mais elevados com grande rapidez,
apesar do terreno íngreme. Após o pelotão ter vencido
um terço do percurso, sua retaguarda foi batida por densa e compacta
barragem de artilharia, que cortou o fio telefônico em vários
pontos e colocou fora de combate um soldado da equipe de minas e outro de
Saúde.
O grupo ponta, após pequeno deslocamento, parou e assinalou a existência
de minas. O comandante do pelotão, ao chegar ao ponto assinalado pelo
sargento, constatou, com satisfação, que não se tratava
de um campo minado e sim de armadilhas, feitas com fios de arame ligados a
minas antipessoal.
Ao chegar ao topo das elevações de Montese, o pelotão
tinha perdido o contato com a companhia; o telefone não funcionava
por terem os cabos sido rompidos pelos tiros da artilharia inimiga; o rádio
deixou de captar e transmitir mensagens, por causa da distância e ondulações
do terreno.
O segundo grupo empregado teve o seu avanço sustado por fogos vindos
do flanco direito, tendo de permeio um terreno limpo.
Quando se preparava para tomar o dispositivo de assalto, foi surpreendido
por inesperado e denso bombardeio da nossa Artilharia, que o envolveu e ao
inimigo. Em seguida, atingiu as posições inimigas, quando não
havia ainda se dissipado a fumaça das granadas. Os alemães permaneciam
no fundo de seus abrigos, e já os nossos ultrapassavam suas posições,
perfeitamente camufladas. Os alemães tentaram, então, reagir,
mas foram postos fora de combate.
Rompidas as defesas, os grupos foram levados para a frente e empregados na
consolidação da posição conquistada e nos ataques
aos flancos inimigos.
O 2° Grupo de Combate, logo após juntar-se ao 1°, foi empregado
para dominar resistências que hostilizavam nosso flanco direito. Postado
em situação favorável e atirando de curta distância
sobre um abrigo onde havia sido localizada uma metralhadora inimiga, fez com
que os seus ocupantes levantassem um lenço, para logo em seguida se
entregarem e as resistências silenciarem.
Depois de demorada luta, em que se conquistou o terreno palmo a palmo, conseguiu-se,
no final do dia, dominar as resistências inimigas, fazendo-as retrair
após sofrerem algumas baixas.
Ao cair da noite de 14 de abril, estavam dominadas as encostas sudoeste da
cidade e quebrada a capacidade defensiva da infantaria alemã, que,
desnorteada, abandonou suas posições, deixando no campo de luta
alguns mortos e oito prisioneiros. Do nosso lado, houve quatro baixas, sendo
um morto e três feridos.
Na noite de 14 para 15 de abril, Montese, não obstante encontrar-se
sob domínio das tropas brasileiras, abrigava ainda elevado número
de soldados inimigos, o que não impediu a artilharia alemã de
desencadear sobre a cidade, naquela noite, cerca de 2.800 tiros.
Na manhã do dia 15, ainda debaixo de maciço fogo da artilharia
alemã, a tropa brasileira ultimou a limpeza da cidade.
A conquista de Montese repercutiu favoravelmente nos altos escalões
e mereceu dos generais americanos os mais efusivos elogios. Essa batalha ficará
marcada para sempre na memória dos soldados brasileiros, pelas lições
de bravura e competência operacional dos "pracinhas".
(Adaptação do texto de autoria do Cel Iporan Nunes de
Oliveira - Revista do Exército Brasileiro)