As Grandes Endemias da Amazônia
Médico José João Ferraroni
Extrato do trabalho Política e Estratégia de Saúde para
o
Desenvolvimeto da Amazônia.
Protozooses
Malária
A malária é a mais expressiva de todas as endemias amazônicas
e, apesar de muitos esforços do governo, o número de casos continua
aumentando sensivelmente nos últimos anos. Alguns fatores contribuem
decisivamente para sua elevada incidência na região, incluindo
as condições climáticas, bacia hidrográfica acidentada,
índice pluviométrico anual elevado, ocorrendo constantes cheias
dos rios formando imensos lagos artificiais, que proporcionam a formação
e manutenção de criadouros de mosquitos. A elevada temperatura
da região e o desconforto, faz com que os habitantes da área
habitem em residências praticamente sem paredes, facilitando a locomoção
do vetor para dentro e fora das casas. A malária tem sido considerada
endêmica na Amazônia, especialmente nas últimas décadas.
O número de casos relatados pela SUCAM, tem declinado em algumas áreas
e se elevado em outras, dependendo, ao que parece, do estreito relacionamento
com as sociedades migratórias. Em todo o caso, a população
nômade é a mais atingida.
Dentre todos os anofelinos transmissores de malária (aproximadamente
200 espécies), o Anopheles darlingi destaca-se como a espécie
mais importante. Por não exigir boa qualidade de água para reprodução,
esta espécie se desenvolve com incrível capacidade nos lagos
artificiais, formados pelas vazantes dos rios amazônicos, o que justifica
o aumento do número de infecção naquela época
do ano.
Como não foi dado enfoque suficiente à prevenção
da doença para a população migrante, o problema da malária
agravou-se seriamente na Amazônia com os núcleos de colonização
implantados na última década.
A introdução da malária humana, em novas áreas
de desmatamento, principalmente nas regiões tropicais, tende a seguir
o desenvolvimento e está intimamente relacionado à quebra do
ecossistema (Hayes & Ferraroni, 1980). Com a implantação
de núcleos de colonização e construção
de vias de acesso, como a criação de novas rodovias e estradas,
trazendo, ao mesmo tempo, indivíduos infectados e sadios para as áreas
virgens ou malarígenas (Ferraroni & Speer, 1980) a malária
tende aumentar na região. Outro fator importante é a mobilidade
das populações, uma vez que o nativo da área endêmica
apresenta certo grau de resistência natural à infecção
malária (Ferraroni & Hayes, 1979; Hayes & Ferraroni, 1979).
Este aspecto deve ser lembrado ante de qualquer plano de colonização
a ser implantado em áreas malarígenas. Exemplificando, a colonização
da Amazônia por indivíduos vindo do Sul do país, encontrará
alguns problemas sérios e certamente grande parte da população
irá perecer com malária, a não ser que sérias
medidas profiláticas sejam aplicadas.
Dentre as medidas para o controle da malária humana incluem-se o uso
de inseticidas, larvicidas, controle biológico, quimioprofilaxia, quimioterapia
e principalmente inseticidas residuais. Mesmo assim, estes métodos
de controle não têm encontrado total sucesso em determinadas
áreas do globo, onde as condições climatogeográficas
apresentam características próprias, como nas regiões
tropicais, onde as constantes chuvas estão presentes durante toda época
do ano, favorecendo substancialmente o desenvolvimento de criadouros dos mosquitos
transmissores do parasita.
Ainda que o uso dos inseticidas tenha tido um grande efeito na erradicação
da malária, o futuro uso dos mesmos precisa ser melhor orientado em
determinadas áreas, onde começam a surgir resistência
do vetor a determinados inseticidas, bem como os problemas de poluição
ambiental que causam. Uma vez que a ação residual do inseticida
é longa (motivo de sua eficácia), não se pode deixar
de lado a idéia de que consequências poderão advir, com
o uso contínuo destas substâncias, especialmente o DDT, Dieldrin
e Malation, pois estes produtos afetam seriamente a balança ecológica.
Por outro lado, é importante que se defenda a utilização
destes produtos, pois eles são as únicas armas de que se dispõe,
no momento, para lutar contra os vetores da malária, em certas áreas
dos trópicos como na região amazônica.
O uso de produtos quimioterápicos e quimioprofiláticos no combate
à malária representa o único método eficaz na
eliminação do parasita. Portanto, é um modelo que não
se pode desprezar, mas, ao contrário, procurar desenvolver método
de aplicação dos mesmos de uma maneira controlada para que possam
produzir resultados, quando aplicados em áreas de alta endemicidade.
Sabe-se, no entanto, que os plasmódios e em especial o Plasmodium falciparum,
que é o mais letal, está desenvolvendo resistência às
drogas clássicas antimaláricas, num espaço de tempo muito
curto. Os primeiros casos de resistência foram detectados logo no início
do uso de medicamentos contra os plasmódios, como o que ocorreu com
o uso de pirimetamina na década de 50 e cloroquina na década
de 60 (Mabert, 1960); (Moore & Lanier, 1961). Atualmente existem cepas
de P. Falciparum resistentes praticamente a todas as drogas empregadas na
Amazônia (Ferraroni & Hayes, 1979; Ferraroni et al., 1981; Ferraroni
et al., 1977; Ferraroni et al., 1983; Ferraroni, 1983). Sabe-se, a priori,
que a resistência dos plasmódios às drogas antimaláricas
é, única e exclusivamente, questão de tempo. Apesar de
não se ter conhecimento ao certo do mecanismo de resistência
dos plasmódios às drogas antimaláricas, sabe-se que a
seleção espontânea deverá ocorrer. Por este motivo
é importante restringir-se o uso maciço das drogas dando-se
preferência a combinações prévias das mesmas, a
fim de retardar os fenômenos mutativos naturais.
O ressurgimento da malária vem ocorrendo em áreas onde a doença
era considerada sob controle. As razões para este fato permanecem obscuras,
mas podem ser parcialmente explicadas pelo desenvolvimento de resistência
dos mosquitos transmissores de malária aos inseticidas, pela resistência
dos parasitas às drogas clássicas antimaláricas e também
por problemas administrativos e operacionais, associados à instabilidade
política em algumas regiões e á falta de pessoal técnico
para atuar nestas áreas.
Assim sendo, a substituição dos inseticidas e dos quimioterápicos
por outros métodos de erradiação da malária é
uma necessidade imperativa, dando-se, desta maneira, ênfase aos métodos
alternativos de seu controle. Na tentativa de descobrir uma vacina, o primeiro
passo já foi dado, pois já se cultivou o P. falciparum "in
vitro" no Brasil, pela primeira vez em 1977 (Ferraroni, 1982). É
lógico que será necessário a descoberta de um método
que obtenha extrato do parasita em larga escala, para que se possa conseguir
antígeno suficiente na aplicação em massa da população.
Haveria também a necessidade de que este antígeno fosse imunogênico,
sem contaminação viral, microbiana ou de material do hospedeiro.
As características ecológicas próprias da região
amazônica, associadas a fatores ambientais implícitos nos grandes
projetos de colonização e desenvolvimento exigem esquemas preventivos
de considerável complexidade que impeçam a transmissão
da malária. A falta de tal planejamento tem resultado num sensível
aumento de casos de malária na região.
Existem fatores epidemiológicos de difícil entendimento quando
a balança ecológica da área é atingida. Parece
que esses fatores, na região amazônica pelo menos, favorecem
ao aumento do número de casos de malária, os quais têm
apresentado aspectos semelhantes nas diversas áreas de colonização
da bacia amazônica (Ferraroni et al., 1977). É necessário,
portanto, a melhoria da efetividade dos métodos de controle, através
de atividades especiais de pesquisa básica e aplicada.
Estudos realizados em camundongos atímicos (destituídos de
imunidade celular), têm demonstrado satisfatória proteção
contra casos de malária de roedores (Ferraroni et al., 1985). O soro
de camundongos curados de altas infecções maláricas e
inoculado em roedores, protegem estes animais de infecções maláricas
mortais (Ferraroni et al., 1982). O uso de adjuvantes, estimuladores inespecíficos
da resposta imune, tem demonstrado aumentar a resistência de roedores
quando infectados com parasitas da malária (Ferraroni et al, 1986).
Estes estudos demonstram que uma vacina contra malária não será
difícil num futuro próximo, principalmente com o avanço
tecnológico atual.
A quebra da harmonia ecológica com os programas de colonização,
promovidos pelo governo através de projetos de assentamento dirigido,
tem apresentado grande complexidade que é consideravelmente aumentada
quando neles é introduzido o homem do Sul do país. Não
aculturado à região inóspita, mas de brilhante futuro,
não tem ele conhecimento suficiente das endemias próprias desta
área, lançando-se ele e sua família numa luta, em que
nem mesmo o adversário conhecem.
Leishmaniose
A Leishmaniose Tegumentar Americana é endêmica na Amazônia
desde longa data. Acredita-se mesmo que a sua existência venha desde
a época das civilizações antigas. É comumente
designada de "ferida brava" e constitui o segundo maior problema
parasitária da Amazônia. É uma infecção
que tende a ser mais regional e focal, devido estar intimamente relacionada
com a quebra do meio ecológico.
Em todos os projetos de assentamento dirigido, implantados pelo governo nas
regiões onde existem vetores do parasita, que são conhecidos
como "mosquito palha" ou "catuqui" , a protozoose está
presente. Normalmente aparecendo em surtos epidêmicos e de difícil
controle devido a dificuldades do combate ao transmissor. Existe um número
muito grande de espécies de flebotomíneos transmissores de leishmaniose
como também grande número de espécies de Leishmaniose,
principalmente dependendo da localidade da Amazônia. Por exemplo: no
Estado do Maranhão a espécie predominante é a Leishmania
braziliensis, que pode acometer inclusive a mucosa. Já no norte do
Estado do Amazonas é comum a leishmaniose causada pela Leishmania guyanensis.
Pelos estudos realizados na região nota-se que praticamente mais da
metade da população (51,8%) já teve contato com o parasita
(Fonseca et al., 1973). O aparecimento dos focos da doença tende a
seguir os núcleos de colonização, as construções
das estradas e grupamentos isolados, como a prática da garimpagem.
A leishmaniose é uma zoonose. Portanto, de difícil erradicação,
porque apresenta reservatórios disseminados por toda a região,
e também por estar seu vetor em toda a Amazônia. O gambá
(Didelphys marsupialis) é um dos mais comuns reservatórios do
parasita, assim como a preguiça-real (Choteopus didactylus) que é
um animal muito comum na Amazônia.
A leishmaniose cutânea-mucosa é o tipo mais preocupante, uma
vez que causa lesão deformante no hospedeiro. Atualmente o número
de casos tem apresentado um considerável aumento da prevalência.
Isolaram-se recentemente parasitas da mucosa de pacientes portadores de lesão
muco-cutânea causadas por Leishmania guyanensis, do que não se
tinha conhecimento até o ano passado (Naiff et al., 1988).
Quanto à leishmaniose visceral (Kalazar), ela é pouco frequente
e alguns casos esporádicos têm sido verificados na zona rural
da Amazônia.
Não existindo vacina preventiva para a leishmaniose, a profilaxia
está única e exclusivamente ligada à prevenção
do contato com o transmissor. A quase totalidade dos casos pode ser tratada
com drogas disponíveis no mercado. No entanto, há relatos de
parasitas resistentes às drogas convencionais, o que poderá
ser problema sério para o futuro.
Toxoplasmose
A infecção por Toxoplasma gondii é muito frequente na
Amazônia. Contudo, a doença passa, na maioria das vezes, despercebida
e confundida com crises de resfriado comum. Dos inquéritos realizados
na região nota-se alta prevalência, inclusive na população
isolada e indígena, em média, 70% (Ferraroni et al., 1979).
Sabendo-se que os felídeos são os únicos animais em que
se realiza o ciclo completo deste protozoário, e existindo muitos felídeos
na região, a prevalência da toxoplasmose deverá continuar
alta por muito tempo ainda na Amazônia.
Amebíase
A amebíase intestinal é muito comum na Amazônia. A Entamoeba
histolytica apresenta prevalência considerada elevada na região,
tanto na área urbana como rural e mesmo nas populações
indígenas isoladas, ficando com cifras de 27,3% (Ferraroni et al.,
1979) e 36,7% (Genaro & Ferraroni, 1984), respectivamente. A faixa etária
mais acometida é a infantil com índice de alta mortalidade no
primeiro ano de vida. Muitos casos de gastroenterites estão associados
a esta infecção. As drogas utilizadas para o tratamento da amebíase
geralmente apresentam altos graus de toxicidade.
Giardíase
A Giardíase lamblia é uma protozoose de prevalência alta
nas populações jovens da Amazônia. Este parasita, além
de causar distúrbios gastrointestinais, é responsável
pela má absorção pelo hospedeiro das vitaminas liposolúveis.
De acordo com os trabalhos de Ferraroni et al., 1979, a prevalência
está em torno de 28%. A infecção é mais prevalente
nas crianças devido aos cistos, que são as formas contaminantes,
ficarem no solo por longo período de tempo.
Tricomoníase
Apesar de ser uma protozoose endêmica na área, não preocupa
muito, em termos de saúde pública, uma vez que sua mortalidade
é praticamente nula. A prevalência de infecção
por Trichomonas vaginalis em mulheres na cidade de Manaus é de 63,9%
(Ferraroni et al., 1978). Esta taxa é considerada altíssima,
correspondendo aos índices encontrados nas clínicas de venereologia
dos países desenvolvidos do primeiro mundo.
Bactrioses
Hanseníase
Pode-se dizer que a hanseníase é uma doença infecciosa
crônica, frequente da Amazônia, com um total de aproximadamente
30.000 casos. Este número é considerado um dos índices
mais elevados do mundo. Nota-se que a prevalência aumentou nos últimos
anos (Talhari & Neiva, 1984). Este aumento pode ter sido devido às
maiores facilidades no diagnósticos. No entanto, por ser a lepra uma
doença ainda não aceita pela sociedade, tem sido difícil
a identificação de novos casos para tratamento inicial e mesmo
profilaxia familiar.
Há um centro de referência de hanseníase da Organização
Mundial de Saúde (OMS) em Manaus. Estudos e acompanhamentos da doença
realizados têm apresentado resultados favoráveis dignos de nota.
Tuberculose
No ano de 1980 foram registrados na Região Norte 6.700 casos de tuberculose,
lembrando ainda que a maioria dos casos não é detectada, devido
às dificuldades de diagnósticos. Uma das grandes preocupações
com a doença é a alta prevalência na população
de faixa etária jovem. Estudos realizados na década de 70 evidenciaram
um índice de 16,9% nas crianças com idade escolar, onde o maior
índice aceita o fato de que a infecção está espalhada
por toda Amazônia, inclusive nas tribos indígenas, nas quais
é uma das grandes causas de óbitos. O tratamento da tuberculose
está se tornando cada vez mais difícil, devido à resistência
do parasita às drogas clássicas e ao aparecimento de espécies
atípicas do parasita. É necessário um trabalho muito
sério nesta área.
Meningite
A meningite meningocócita, apesar de ser endêmica na Amazônia,
tem surgido como focos epidêmicos isolados. A mortalidade é alta
e acomete preferencialmente a faixa etária jovem. Ainda não
houve um trabalho sério sobre a sorotipagem das bactérias na
região. Portanto, não se sabe ainda qual o sorotipo mais prevalente.
Isto nos parece muito preocupante.
Verminoses
As parasitoses intestinais causam implicações sócio-econômicas,
comportando-se através de inúmeros aspectos e que culminam na
chamada "Síndrome anêmico-parasitária". Este
quadro clínico é um somatório de sintomas e sinais, tais
como anemia, carência de vitaminas e proteínas, e claro, o poliparasitismo
intestinal. Apesar de se conhecer a prevalência das parasitoses, em
determinados pontos da região não se conhece, na realidade,
a magnitude do problema. Contudo, estima-se que 90% da população
estejam parasitadas por, pelo menos, uma espécie de parasita.
A ascaridíase é a parasitose mais prevalente na Amazônia
com 88,3%, seguindo-se a tricocefalíase com 62%, ancilostomíase
com 47,4%, estrongiloidíase com 7,5% e a enterobiose com 1,5% (Fraiaha,
1984). Um fato importante é os indivíduos aparecerem, na maioria
das vezes, poliparasitados. A obstrução intestinal por Ascaris
lumbricoides é frequente na região, principalmente na faixa
etária de 3 a 6 anos de idade. Há relatos de alta frequência
de apendicecopatia parasitária.
Das parasitoses causadoras de microfilaremia, a bancroftose está mais
focalizada no Pará, especialmente em Belém e arredores. Com
o intenso combate ao vetor o índice de prevalência da doença
tem diminuído razoavelmente nos últimos anos.
A mansonelose está bem difundida na região, inclusive na população
indígena, onde certas tribos apresentam índices de até
50% de positividade. Todavia não é patologia preocupante devido
sua baixa patogenicidade e mesmo sintomatologia discreta.
A oncocercose é a filariose humana mais preocupante na região,
uma vez seu vetor ser um simulídeo abundante, fazendo com que a parasitose
se alastre rapidamente. Sendo a patologia (cegueira) irreversível,
cuidados profiláticos precisam ser adotados com urgência. Até
o momento, a prevalência está mais focalizada na área
fronteiriça do Brasil com a Venezuela e nas regiões do Auaris,
Toototobi, Surucucus e Mucajaí (Moraes et al., 1979). A dificuldade
na detecção dos casos, principalmente na população
indígena, é a necessidade de se realizar biópsia cutânea.
Este problema talvez possa ser resolvido com a introdução de
testes cutâneos de hipersensibilidade imediata. Trabalhos realizados
neste sentido parecem demonstrar que isso será possível num
futuro próximo (Ferraroni & Moraes, 1982). A parasitose ainda está
localizada em focos isolados, devendo por isso ter o cuidado de não
se construírem estradas nestas áreas, o que, certamente, seria
uma catástrofe em termos de disseminação da doença.
A doença de Chagas e esquistosomose, apesar de serem endêmicas
em outras regiões do país, ainda não são problemas
para a Amazônia.
Viroses
Hepatites
As hepatites causadas por vírus constituem patologia marcante na Amazônia,
principalmente a hepatite B (antigamente denominada de hepatite por soro-homólogo).
Esta doença é a endemia mais importante após a malária
e a leishmaniose, mesmo porque sua letalidade é alta, chegando atingir
até 10% da população no Estado do Pará. A prevalência
de sorologia positiva da população humana na Amazônia
está entre 20% (Benzabath & Maroja, 1977) em regiões urbanas
e 36% em comunidades isoladas do interior (Ferraroni et al., 1983). Devido
à alta endemicidade a praticamente todas as hepatites viróticas,
uma grande percentagem da população torna-se imune a elas. Assim,
os surtos epidêmicos ocorrem com mais frequência nas populações
migratórias de outras regiões do país.
Poliomielite
A faixa etária até dois anos de idade é o grupo mais
atingido pela doença na Amazônia. Ultimamente o número
de casos tem declinado, talvez devido ao uso da vacina Sabin. Contudo, em
trabalhos realizados nas diversas comunidades do interior, inclusive populações
isoladas e tribos indígenas, evidenciaram que 70% dos indivíduos
examinados apresentam anticorpos protetores contra o vírus (Ferraroni
& Ferraroni, 1981). Estando assim 30% da população desprovidos
de proteção.
Raiva
A raiva humana continua representando um sério problema de saúde
pública na Amazônia, apesar dos esforços do governo no
controle e vacinação dos cães.
Micose
Micoses Profundas
Dentre as micoses profundas, a esporotricose é a mais comum. Contudo
casos de criptocose, paracoccidioidomicose e histoplasmose têm sido
descritos. A lobomicose é característica e exclusiva da Amazônia.
Mesmo com todos os recursos da farmacologia moderna não se encontrou
uma droga para o seu tratamento. Têm havido alguns surtos esporádicos
de histoplasmose.
Micoses Superficiais
As dermatomicoses apresentam distribuição universal, correspondendo
em cada região do globo a uma flora particular de dermatófitos,
caracterizada pela predominância ou exigência de certas espécies.
Acredita-se que 30% da população amazônica estejam acometidos
de pelo menos a um tipo de dermatomicose. A Pityriasis versicolor é
a micose superficial predominante. As tinhas, principalmente a tinha cruris
é muito comum, assim como as onicomicoses. As micoses são frequentes
devido ao clima ser quente e úmido, favorecendo substancialmente o
desenvolvimento da flora fúngica. Os fungos anemófilos são
causadores frequentes de síndromes alérgicas e muito constantes
em ambientes fechados na Amazônia (Furtado & Ferraroni, 1982).