Doenças tropicais
 

Leishmaniose Tegumentar Americana
Mário Rosas Filho - Cap Med
Infectologista - Hospital Geral de Manaus

É uma doença infecciosa, de evolução que tende a cronicidade, não contagiosa, causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania e transmitida por insetos hematófagos genericamente designados flebótomos. Trata-se de uma zoonose, pois tem como reservatórios animais silvestres ( tamanduá, paca, bicho-preguiça, gambá e algumas espécies de roedores), os quais são picados pelos flebotomíneos e o homem somente é infectado acidentalmente quando invade o ecossistema do protozoário, em atividades de extrativismo animal, vegetal ou mineral; quando da implantação de projetos agrícolas ou habitacionais em áreas recentemente desmatadas ou ainda militares ao participarem de operações em área de selva.

Na Região Amazônica é êndemica, com significativa incidência em todos os estados da região. Atualmente encontram-se identificadas seis espécies do gênero Leishmania, implicadas no aparecimento da Leishmaniose Tegumentar Americana ou Cutâneo-mucosa, assim discriminadas: L. (Viannia) braziliensis; L. (Viannia) guyanensis; L. (Viannia) lainsoni; L. (Viannia) shawi; L. (Viannia) naiffi e L. (Leishmania) amazonensis.

É caracterizada pelo polimorfismo lesional, comprometendo a pele, comumente manifestando-se como uma lesão ulcerada, única ou múltipla, medindo entre 3 a 12 cm de diâmetro, com bordos elevados ,"em moldura de quadro", base granulosa e sangrante, frequentemente associada à infecção bacteriana secundária. Dependendo da espécie de Leishmania e de fatores imunogenéticos do hospedeiro podem ocorrer lesões mucosas e cartilaginosas, que geralmente iniciam-se na mucosa nasal, surgindo coriza e sangramento nasal, evoluindo para perfuraçào do septo nasal, destruição da fossa nasal, mucosa, cartilagem e nos casos mais severos comprometendo assoalho da boca, língua, laringe, traquéia e brônquios, com mutilações graves, podendo afetar as funções vitais levando ao óbito.

O diagnóstico é clínico, baseado nas características das lesões cutâneas, principalmente da lesão ulcerada leishmaniótica e laboratorial através dos seguintes exames: Raspado da borda da úlcera, isolamento do parasita em cultura, isolamento do parasita em animais de laboratório ("hamster"), Intradermoreação de Montenegro, imunofluorescência indireta e exame anátomo-patológico da lesão.

No tratamento da Leishmaniose Cutâneo-Mucosa as drogas de primeira escolha continuam sendo os antimoniais pentavalentes, ou seja, meglumina antimoniato e stibogluconato de sódio. Em caso de insucesso com estas substâncias podemos utilizar outras drogas, tais como, Anfotericina B e Pentamidina. Todas as drogas empregadas são de administração injetável, com várias aplicações, dificultando a adesão dos pacientes. Pois fatores imunogenéticos podem retardar consideravelmente a cicatrização das lesões.

As condições eco-epidemiológicas da Amazônia não permitem a instituição de medidas profiláticas adequadas. Não existe vacina disponível para uso clínico.

Atenção!
Ilustração relativa à Leishmaniose.

As imagens a seguir têm aspecto que podem chocar menores de idade e pessoas sensíveis.
Acesso aconselhável apenas para fins científicos e de pesquisas.
Deseja continuar? Sim

 

 
 
Voltar
Copyright © - Centro de Comunicação Social do Exército - Todos os Direitos Reservados.
Melhor visualizado em resolução 1024x768