Doenças tropicais
 

Malária
Mário Rosas Filho- Cap Med
Infectologista - Hospital Geral de Manaus

É uma doença infecciosa, febril, não contagiosa, sub-aguda, aguda e algumas vezes crônica, causada por protozoários do gênero Plasmodium, principalmente as espécies vivax e falciparum, transmitida através da picada das fêmeas dos mosquitos do gênero Anopheles. Distribui-se por toda a Amazônia, onde tem grande importância, por infectar anualmente um contingente expressivo de sua população e determinar frequentemente o aparecimento de formas graves, inclusive com elevada mortalidade.

Os aspectos eco-epidemiológicos da Amazônia: calor e umidade excessivos e a grande extensão de seus rios, contribuem para o proliferação dos anofelinos, dificultando o controle da doença.

A forma infectante dos plasmódios é o esporozoíta, encontrado nas glândulas salivares de fêmeas do anopheles infectadas, que inoculada na pele do ser humano, permanece cerca de uma hora na corrente sangüínea, localizando-se posteriormente nas células do fígado (hepatócitos), onde sofre multiplicações formando os esquizontes hepáticos, estes transformam-se em merozoítas, que rompem os hepatócitos e são liberados na circulação sangüínea, onde invadem os eritrócitos, evoluindo para a forma de trofozoítas, os quais após sofrerem divisão nuclear originam os esquizontes sangüíneos, ocorrendo em seguida o rompimento das hemáceas, liberando merozoítas, alguns com capacidade para parasitar novas hemáceas e reiniciar o ciclo vital do plasmódio, porém parte dos merozoítas no interior das hemáceas diferencia-se em gametócitos (macho e fêmea), os quais sugados pelos anofelinos promoverão o ciclo sexuado do plasmódio nos mosquitos, surgindo em uma a duas semanas esporozoítas, aptos a infectar novos hospedeiros.

O período de incubação pode variar de nove a quarenta dias, em média quinze dias para vivax e doze dias para falciparum, sendo os sintomas mais graves nos indivíduos primo-infectados.

O quadro clínico caracteriza-se por: cefaléia, mialgias, prostração, perda do apetite, mal-estar geral e calafrios seguidos de febre de início súbito, elevada ( acima de 40oC) e intermitente, que ao cessar desencadeia sudorese profusa. Nas formas graves o paciente apresenta também vômitos, diarréia, cianose de extremidades, pele fria e pegajosa. Pode haver diminuição do volume urinário nas 24 horas evoluindo para Insuficiência Renal Aguda. Complicação frequente nos casos graves é o Edema Pulmonar e a Síndrome de Angústia Respiratória do Adulto, além de sangramentos digestivos, subcutâneos e de outras localizações, que em geral levam à morte.

O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial, através da detecção de plasmódios no sangue periférico (esfregaço ou gota espessa), além da utlização de métodos imunoenzimáticos ou de radioimunoensaio nos casos de maior dificuldade diagnóstica.

No tratamento utilizamos drogas antimaláricas como o uso de Cloroquina e Primaquina para P. vivax e Quinino associado à antimicrobianos e mais recentemente derivados da Artemisina, no tratamento de malária pelo P. falciparum. Os pacientes graves necessitam de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva.

Medidas de proteção individual, como uso de repelentes nas áreas expostas do corpo e a instalação de telas nas portas e janelas das habitações, são inviabilizadas pelas condições climáticas regionais ( calor e umidade excessivos) e tipo de habitação do amazônida( casas com paredes incompletas) .No momento não se dispõe de vacinas para uso clínico.

 

 
 
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