1- O Desafio da selva
A Selva Amazônica contém cerca de um terço das florestas
tropicais do planeta. É um verdadeiro "Oceano de árvores".
vasto e perigoso. Ela é tão gigantesca na realidade, que cruzá-la
equivale atravessar o Oceano Atlântico entre a África e o Continente
Americano.
A extensa e densa floresta Amazônica é dotada de gigantesca
malha hidrográfica, deficiente rede rodoviária, elevados índices
de umidade, pluviosidade e risco constante de enfermidades tropicais, constituindo-se
no principal óbice às operações logísticas,
quer em operações, quer no apoio prestado às Organizações
Militares sediadas na área. Não existe na face da terra nenhuma
região tão inóspita e assustadora quanto a Selva Tropical.
A 8ª Região Militar (8ª RM) possui uma área de responsabilidade
logística de mais de 1.500.000 Km2, o que representa, aproximadamente,
18% do território nacional. Nesse verdadeiro desafio de suprir suas
Organicações Militares (OM) subordinadas, são empregados
meios da Força Aérea Brasileira (FAB), além de balsas
e viaturas orgânicas do 8º Depósito de Suprimento (8º
D Sup).
As adversidades do ambiente influem diretamente no desempenho do homem e
do material. A deteriorização dos itens de suprimento é
uma ameaça constante e real que demanda a tomada de medidas especiais
de preservação, tais como a realização de expurgos
periódicos nos gêneros alimentícios, a climatização
de depósitos e armazéns e a manutenção preventiva
dos artigos estocados.
Além desses, outros desafios foram vencidos pela 8ª RM no ano
1997, a fim de proporcionar o apoio necessário às OM sob sua
responsabilidade, tais como:
- criação do Hospital da Guarnição de Marabá,
inaugurado em outubro de 1997;
- obtenção, distribuição e instalação
de sete gabinetes odontológicos para as OM;
- reaparelhamento de consultórios médicos;
- obtenção e distribuição de dois módulos
de embarcações táticas para o 2º Batalhão
de Infantaria de Selva (2º BIS Belém) e o 52º Batalhão
de Infantaria de Selva (52º BIS Marabá-PA);
- instalação de uma rampa, a fim de facilitar o carregamento
e descarregamento, na Embarcação Logística e Flutuante
Codajás;
- racionalização da distribuição de cotas de
combustível às OM, proporcionando economia e permitindo o suprimento
de gasolina até abril e óleo diesel até março
de 1998;
- redução do índice de indis-ponibilidade de viaturas,
por meio da utilização de verbas procedentes da Diretoria de
Transportes;
- fosfatização de 1.880 armas das OM regionais no Arsenal de
Guerra do Rio de Janeiro, com emprego das aeronaves da FAB para o transporte;
- confecção de ração operacional alternativa,
utilizando itens de alimentação existentes no comércio,
com grande economia e excelente aceitação pela tropa nas manobras
no Estreito de Breves e no Estado do Amapá;
- aumento da capacidade de estocagem das câmaras frias das OM mais
distantes de Belém; e
- a utilização de aeronaves C-130 do Plano de Apoio Amazônico,
para transportar suprimentos, e do C-95 do convênio com a FAB, para
transportar equipes do Parque Regional de Manutenção/8 (Pq R
Mnt/8), Hospital Geral de Belém (HGeBe) e Comissão Regional
de Obras/8 (CRO/8), assim como realizar eventuais evacuações,
de modo a atender toda a área de responsabilidade da 8ª RM.
2- O isolamento
Na área da 8ª RM, os mais importantes adensamentos populacionais
estão nas margens das principais estradas e rios: Imperatriz (MA),
Marabá, Altamira, Itaituba e Santarém, no Pará.
As condições climáticas, a precariedade das estradas,
particularmente a Transamazônica, e as grandes distâncias fluviais
a serem vencidas, tornam esse isolamento uma dificuldade a mais para a realização
do apoio logístico.
3- Grandes distâncias
A infra-estrutura viária privilegia, tradicionalmente, os meios fluviais,
os quais se apresentam como os mais viáveis para o apoio logístico
às tropas de Macapá, Santarém, Itaituba e Altamira, aproveitando-se
das rotas da rede hidroviária da Bacia Amazônica.
Suprir a tropa aquartelada no Oiapoque (AP) é um desafio especial.
A atividade pode ser realizada por via marítima, subindo-se depois
o rio de mesmo nome, ou, como atualmente é feita, pela combinação
da via fluvial até Macapá, com a via terrestre de 620 Km através
da BR-156, que liga aquela capital à cidade do Oiapoque, ou, ainda,
por via aérea.
As estradas do sul do Pará, em teoria, viabilizariam qualquer apoio
às tropas posicionadas ao longo da rodovia Transamazônica, ou
seja, Marabá, Altamira e Itaituba. No entanto, a sua precariedade de
tráfego nos períodos de chuvas dificulta sobremaneira o apoio
logístico para essas duas últimas cidades, sendo necessário
o emprego de meios fluviais do 8º D Sup e/ou aeronaves da FAB para o
transporte dos suprimentos.
O quadro que se segue sintetiza as distâncias a serem vencidas e os
meios empregados pelo 8º D Sup para apoiar as tropas sob responsabilidade
logística da 8ª RM
|
LOCAL DA OM
|
ESTRADA (Km)
|
Anv C-130 (h)
|
Balsa (dias)
|
|
Oiapoque
|
-
|
1:40
|
5
|
|
Macapá
|
-
|
1:00
|
2
|
|
Santarém
|
-
|
1:30
|
5
|
|
Itaituba
|
-
|
2:00
|
6
|
|
Altamira
|
-
|
1:20
|
3
|
|
Marabá
|
668
|
-
|
-
|
|
Imperatriz
|
578
|
-
|
-
|
4- As Limitações dos meios de comunicações
e de transportes
As comunicações em ambiente de selva sofrem efeitos das condições
meteorológicas, tais como, chuvas torrenciais, umidade, calor e limitações
proporcionadas pela escassez de estradas, pouca visibilidade pelo terreno
ondulado em algumas áreas e pela vegetação densa.
No entanto, a 8ª RM teve a oportunidade de testar, com sucesso, alguns
equipamentos de comunicações durante a "Operação
Breves" e a "Operação Amapá", realizadas
no final do ano de 1997.
Foram utilizados os seguintes equipamentos: TW 7.000; gerador solar de energia;
gerador portátil; central telefônica automática; manipuladores
telegráficos; conjunto rádio EB-11 ERC 131/TPX720, para ligação
terra - avião, mantendo contato com aeronave militar a 50 Km de distância,
estando a mesma a 1.000 pés de altitude; TW 2.000 (veicular); KENWOOD
com LAPTOP ou DESKTOP; integração rádio-fio (IRF); e
utilização da estação-rádio de Breves para
a transmissão de mensagens pré-estabelecidas.
A questão dos meios de transportes a ser utilizados nos deslocamentos
de grande envergadura está intimamente ligada ao isolamento das unidades
a ser apoiadas, ao volume do material a transportar e a rapidez que se deseja.
Pode-se afirmar que a malha fluvial da Amazônia Oriental atende as necessidades
de vias de acesso de grande porte para a realização do apoio
logístico. No entanto, apesar de ser significativa, a malha rodoviária
é de baixa qualidade, particularmente nas BR-230 e 156, durante os
meses chuvosos.
Com isso, cresce de importância a manutenção das viaturas,
o emprego das balsas e da FAB, para que o apoio logístico possa sempre
chegar à ponta da linha.
5- Apoio às populações civis e indígena
O Exército, por intermédio de suas organizações
militares (OM) distribuídas ao longo das fronteiras, dos principais
rios e das rodovias, presta apoio fundamental a comunidades civis e indígenas.
A 8ª Região Militar auxilia essa atividade, proporcionando condições
de funcionamento aos hospitais de guarnição e aos postos de
saúde, tanto em pessoal como em equipamentos e medicamentos.
Com a participação da Região, as OM têm condições
de prestar apoio realizando diversas operações do tipo Ação
Cívico Social (ACISO) e campanhas conjuntas com as Prefeituras das
diversas cidades, em atendimentos especializados no campo de saúde
médica, odontológica e laboratorial, com o objetivo de elevar
o espírito comunitário entre o Exército e a comunidade
municipal.
Estas atividades são bastante comuns, particularmente, nas Organizações
Militares mais isoladas como, Santarém, Itaituba, Altamira e Clevelândia
do Norte.