Apresentação
Baseada
nos preceitos do artigo 4º da Constituição Federal, a participação
brasileira em missões de paz só ocorre após o atendimento
de algumas imposições, cuja principal é a aceitação,
por parte dos países ou das facções envolvidas no conflito,
da presença de observadores ou tropas estrangeiras em seu território.
Essa conduta da política externa brasileira vem sendo adotada há
longo tempo. Assim, a primeira participação do Exército
Brasileiro ocorreu em 1947, quando observadores militares foram enviados para
os Balcãs. Durante as décadas de 50 e 60, viria a participar
com efetivos maiores, integrando forças internacionais de paz, sob
a égide da ONU no Oriente Médio e da OEA no Caribe. A mais longa
missão foi no Oriente Médio (UNEF) e durou de 1957 a 1967, com
a participação de 600 homens, em média, que se revezaram
em 20 contingentes.
Nas
décadas seguintes, foram bastante reduzidas as missões, até
reiniciarem em 1989, quando inúmeras foram abertas. Em 1994, foram
enviadas tropas (uma companhia) para auxiliar a manutenção da
paz em Moçambique. Em setembro de 1995, o Exército enviou para
Angola um contingente composto por mais de mil homens (um batalhão,
uma companhia de engenharia e um posto de saúde). Nos últimos
anos, militares brasileiros vêm prestando serviços às
Nações Unidas, como observadores, na África, na América
Central, na Europa, e na Ásia, e cooperando para a solução
pacífica do conflito fronteiriço entre o Equador e o Peru.
A par do excelente desempenho demonstrado pelas tropas e pelos observadores
brasileiros em missões no exterior, o Exército tem participado
de exercícios conjuntos com outros países.
A participação em missões de paz vem trazendo crescente
prestígio à política externa e ao Exército Brasileiro,
aumentando a projeção nacional no cenário mundial.
A Política Externa Brasileira para Operações de Paz
Fundamentada na Política de Defesa Nacional, consoante a diretriz
de participar de Operações Internacionais de Paz, de acordo
com os interesses brasileiros, pautada pelas seguintes linhas gerais:
Os Princípios das Operações de Paz
O Brasil considera que as Operações de Paz são
instrumentos úteis para solucionar conflitos e ajudam a promover negociações
político-diplomáticas, mas não podem substituí-las;
a solução definitiva sempre dependerá da vontade política
das partes.
Quando instaurada, uma Operação de Paz deve ser regida pelos
princípios de imparcialidade, aplicação do mínimo
de força necessária, negociação com todas as partes
envolvidas e intermediação na busca de soluções,
evitando-se a discussão de problemas e responsabilidades.
Experiências Brasileiras em Operações de Paz
O Brasil, há muito tempo, vem contribuindo com o esforço de
organismos internacionais de paz, quer pelo envio de observadores militares
desarmados, quer pela inserção de tropas levemente armadas nas
áreas conflagradas. Os objetivos têm sido monitorar o cessar-fogo
entre as partes envolvidas e desenvolver as melhores condições
para o pleno restabelecimento da paz regional.
Exercícios Conjuntos
Exercício Forças Unidas O exercício inicialmente
denominado Forças Unidas foi estruturado num quadro de Força
de Paz, realizado numa situação hipotética e com auxílio
de computadores. No decorrer do exercício, são simulados incidentes
que envolvem a tropa, civis e demais participantes na questão. Nos
primeiros dias são realizados seminários com diferentes temas
sobre assuntos correlatos com a ONU e Operações de Manutenção
da Paz. O exercício é patrocinado pelo Comando Sul do Exército
dos Estados Unidos da América (EUA).
Em 1997, o exercício foi realizado na Escola de Comando do Estado-Maior
do Exército (ECEME). O Exército Brasileiro realizou toda a coordenação,
planejamento e desenvolvimento do evento, baseado na experiência vivida
em Angola.
Em 1999 o exercício passou a ser chamado SUR 99, e foi realizado na
capital boliviana segundo uma situação planejada pelo Comando
Sul do Exército dos EUA.
Em substituição ao exercício Forças Unidas, que
passou a ser bianual, em 2000 foi realizado um simpósio de Forças
de Paz em Santiago do Chile.
Operação Cruzeiro do Sul Em 1996, foi criado
um exercício denominado Operação Cruzeiro do Sul, por
iniciativa da Argentina, com os objetivos de proporcionar um maior entrosamento
entre os integrantes de uma Força de Paz Combinada (F Paz Cbn) e desenvolver
o planejamento de estado-maior nos níveis grande unidade (GU) e unidade
(U), reforçando os laços de amizade no contexto do MERCOSUL.
Em 1997, contando com a participação do Uruguai, o exercício
foi realizado no Brasil, com a presença de tropa no terreno. Em 1998,
o exercício foi de quadros, realizado na Argentina, com a inclusão
do Paraguai.
Em 1999, foi realizado no Brasil, e constou de seminários com o objetivo
de trocar experiências relativas às operações de
manutenções de paz e planejamento nos níveis GU e U.
Pode-se observar a diferença entre o SUR 99 e a Operação
Cruzeiro do Sul: o primeiro constitui comando de brigada e o segundo comando
regional, de acordo com o desdobramento das Forças da ONU em Angola.
No ano 2000 o exercício foi de posto de comando com incidentes.
Exercício de Apoio Humanitário Ainda em 1998,
por ocasião de uma conferência bilateral de estados-maiores entre
os Exércitos do Brasil e da Argentina, foi estabelecido que seria realizado,
anualmente e por revezamento, um exercício combinado de apoio humanitário
às comunidades por ocasião de desastres naturais.
Em 1999, o exercício denominado Operação Iguaçu
I foi realizado na cidade de Posadas, na Argentina, contando com a
presença de militares do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado
e do estado-maior da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, explorado sob
o tema de um alagamento generalizado na fronteira comum, operacionalizando
a assistência humanitária.
Seminários Nos anos de 1997 e 1998, o Exército
participou de seminários de assuntos relacionados com Operações
de Manutenção da Paz, na América do Sul e Grã-Bretanha.
Em 1999, foi realizado um intercâmbio de especialistas em operação
de manutenção de paz com o Exército dos Estados Unidos
da América. Foram discutidos temas como desminagem, relacionamento
com as organizações não-governamentais (ONG) e conceitos
doutrinários.
O preparo da tropa Uma situação real O
COTER é responsável pelo preparo das tropas que se destinam
às missões de manutenção da paz. São tomadas
como referências de preparo as Diretrizes da ONU e os Programas Padrão
de Instrução, entre outros documentos. O tempo previsto é
de cerca de três meses, dividido em instrução individual
(quadros, cabos e soldados) e adestramento.
Perpectivas
Em nível internacional A tendência aponta para
a concessão, pela ONU, de mandatos para que organismos regionais conduzam
operações de manutenção de paz, com o provável
aumento de missões delegadas para coalizões de estados-membros,
como foi o caso da missão junto à INTERFET; ou para organismos
regionais, com a conseqüente diminuição do controle das
operações por parte das Nações Unidas.
Em curto e médio prazos, pode-se dizer que, em razão do seu
alto custo e das dificuldades de atingir resultados definitivos, as missões
de paz da ONU, envolvendo emprego de tropa, deverão diminuir. Por outro
lado, as missões de emprego individual observadores militares
por enquanto, não deverão sofrer redução.
As Nações Unidas, por sua universalidade, legitimidade e experiência
de mais de 50 anos em missões congêneres, devem continuar, quando
possível, a conduzir as operações de manutenção
de paz.
Específicas para a Força
O emprego de forças militares em Operações de Paz continuará
a ser uma constante nos próximos anos. O Brasil poderá ser convocado
a dar sua parcela de contribuição.
Orgulho Verde-Oliva
A participação do Brasil em missões de paz caracteriza-se
como um instrumento muito útil da política externa. Além
de representar o cumprimento com suas obrigações em nível
mundial na matéria, contribui para estreitar as relações
com países de particular interesse para política externa brasileira.
É importante enfatizar que o Brasil pode se orgulhar de sua participação
nas operações internacionais, pois projeta, favoravelmente,
a sua imagem, colhendo significativos dividendos internos e externos, ratificando
sua posição de importante ator no cenário mundial e conquistando
o espaço que lhe é devido no âmbito das relações
exteriores.
Liderança de militares brasileiros em missões
de paz sob a égide de organismos internacionais
A presença do General-de-Divisão Augusto Heleno Ribeiro Pereira
no comando do componente militar da Missão das Nações
Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), iniciada em
2004, confirma a confiança que os organismos internacionais depositam
no Exército Brasileiro.
Decorrente da eficiência de seus quadros na participação
em missões de paz, coube a vários militares da Força
Terrestre abaixo citados - o desempenho de diversos cargos de comando
e chefia, que dignificaram, ainda mais, a participação brasileira
nos diversos processos de paz de países amigos:
1. Em Suez, na Força de Emergência das Nações
Unidas I (UNEF I), coube o comando operacional da missão, no 1º
semestre de 1964, ao General-de-Divisão Carlos Paiva Chaves e, em 1965
e 1966, ao General-de-Brigada Syseno Sarmento.
2. Na República Dominicana, na Força Interamericana de Paz
(FIP), os Generais-de-Exército Hugo Panasco Alvim e Álvaro da
Silva Braga exerceram o comando unificado da missão em 1965 e 1966.
3. Em Angola, nas Missões de Verificação das Nações
Unidas em Angola I e II (UNAVEM I e II), o General-de-Brigada Péricles
Ferreira Gomes chefiou o grupo de observadores em 1989 e 1990.
4. Em Moçambique, na Missão das Nações Unidas
em Moçambique (ONUMOZ), a chefia da componente militar coube, em 1993
e 1994, ao General-de-Divisão Lélio Gonçalves Rodrigues
da Silva.
5. Na Ex-Iuguslávia, na Força de Proteção das
Nações Unidas na Antiga Iugoslávia (UNPROFOR), o General-de-Brigada
Newton Bonumá dos Santos chefiou os observadores militares em 1994
e 1995.
6. No Equador e no Peru, na Missão de Observadores Militares no Equador
e no Peru (MOMEP), entre 1995 e 1999 a coordenação-geral coube
sempre a oficiais-generais brasileiros:
- Gen Div Cândido Vargas de Freire;
- Gen Div Francisco Stuart Campbell Pamplona;
- Gen Div Marcelo Rufino dos Santos;
- Gen Div Francisco Roberto de Albuquerque;
- Gen Div Licinio Nunes de Miranda Filho;
- Gen Div Gilberto Fernando Alfama Bandeira;
- Gen Div Luiz Seldon da Silva Muniz;
- Gen Div Sérgio Pedro Coelho de Lima;
- Gen Div Plínio Abreu Coelho; e
- Gen Div Cláudio Barbosa de Figueiredo.
7. No Timor Leste, na Administração Transitória das
Nações Unidas no Timor Leste (UNTAET), o General-de-Brigada
Sérgio Lineu Vasconcelos Rosário chefiou os observadores militares
em 2001 e 2002.