Organizações Militares
 

1º Batalhão de Infantaria de Selva - Batalhão Amazonas

História

A população de Manaus conhece o 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS) de muito tempo. Nem sempre as pessoas se referiram à unidade como o 1º BIS ou simplesmente o BIS, pois ainda há aqueles que se lembram dos tempos da existência do 27º Batalhão de Caçadores, o chamado 27 BC. Há aqueles que se recordam dessa época em que a tropa se aquartelava no que hoje é o Colégio Militar de Manaus.

A origem da unidade remonta ao ano de 1831 e à criação, em Mato Grosso, da Companhia de Pedestres, logo transformada em Corpo de Ligeiros de Mato Grosso – assim foi denominada até 1841, quando passou a chamar-se Batalhão de Caçadores Provisório de Mato Grosso. Em 1842, recebeu a denominação de Corpo Fixo de Caçadores, que perdurou até 19 de abril de 1851, data em que tornou-se o Batalhão de Caçadores da Guarnição de Mato Grosso. Foi a base para a organização do 19º Batalhão de Caçadores, criado em dezembro de 1865, e denominado 19º Batalhão de Infantaria em 18 de agosto de 1888.

Base de Instrução Felipe Camarão, também Centro de Avaliação e Adestramento Operacional da Amazônia.

Várias outras denominações recebeu a unidade até se transformar no 1º BIS:

- de 04 de janeiro de 1908 a 23 de fevereiro de 1915: 15º Regimento de Infantaria, sediado em Nioaque (MT);
- de 23 de fevereiro de 1915 a 11 de dezembro de 1919: 45º Batalhão de Caçadores, com sede em Manaus;
- de 11 de dezembro de 1919 a 11 de setembro de 1969: 27º Batalhão de Caçadores, localizado na capital amazonense;
- de 11 de setembro de 1969 até os dias atuais: 1º Batalhão de Infantaria de Selva.

Curiosidades

O 1º BIS contribuiu para a criação de várias organizações militares do Exército. Eis alguns exemplos:

- compôs, com três oficiais, o Grupo de Trabalho para a Criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em outubro de 1964 (também cedeu oficiais e praças para a constituição do CIGS);
- cedeu efetivos para a organização da 2ª Companhia Especial de Fronteira, em Tabatinga (AM); para a 4ª Companhia de Fronteira, em Rio Branco, e para um pelotão especial de fronteira, em Porto Velho;
- iniciou a construção das instalações e compôs com pessoal o Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí (AM);
- enviou destacamento precursor, no valor de uma companhia de fuzileiros de selva, para Humaitá(AM), sendo esta o núcleo do que viria a ser o atual 54º Batalhão de Infantaria de Selva, em outubro de 1973; e, em 1975, repetiu o feito, dessa vez enviando pessoal para Itaituba (PA), origem do 53º Batalhão de Infantaria de Selva;
- manteve pelotões de fuzileiros de selva em Querari, Iuaretê e São Joaquim (AM), uma vez mais sendo precursor de organizações militares na Região Amazônica.

No histórico do 1º BIS são encontrados registros de várias atuações tanto em operações de garantia da lei e da ordem como na manutenção da integridade territorial na Amazônia. Alguns desses eventos:

- em 1924 e 1932, enviou efetivos para o Maranhão, Belém e Óbidos(PA), cooperando com ações desenvolvidas pelo Exército em prol do restabelecimento da ordem pública;
- em 1932, operou em Tabatinga (AM), impedindo a violação da faixa fronteiriça, quando duas nações vizinhas viveram um conflito local;
- em 1944, contribuiu com sete sargentos, 27 cabos e 112 soldados para a organização da Força Expedicionária Brasileira (um dos cabos perdeu a vida nos campos de batalha da Itália);
- ocupou a Refinaria de Petróleo de Manaus, na eclosão da Revolução Democrática de 1964, assegurando o abastecimento de combustível da região;
- participou de operações de contraguerrilha, na década de 70, em região do interior do País, contribuindo para eliminar foco de radicais que tentavam implantar no Brasil um regime totalitarista;
- em 1985, participou de operações militares na região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, contrapondo-se a incursões de movimento guerrilheiro procedente de país vizinho: ocupou, com uma companhia de fuzileiros de selva reforçada, as localidades de São Joaquim, Querari e Iuaretê(AM); e realizou ações de bloqueio e controle de trânsito ao longo do rio Içana.

Em julho do ano 2000, o 1º BIS passou a integrar a Força de Ação Rápida do Exército, estando pronto para atuar, sob a coordenação do Comando Militar da Amazônia, em qualquer ponto da Região Amazônica.

A instrução militar

Além da formação do soldado combatente de selva, a unidade tem sob sua responsabilidade o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva/1º BIS. Também conduz estágios de adaptação à selva para militares recém-chegados à Guarnição de Manaus.

O adestramento do batalhão é conduzido em quatro bases de instrução:

- Base de Instrução Boina Verde (BIBV), no km 22 da rodovia que liga Manaus a Itacoatiara (AM);
- Base de Instrução Boina Rajada (BIBR), no km 70 da rodovia já mencionada;
- Base de Instrução Felipe Camarão (BIFC), nas proximidades do rio Preto da Eva (AM), aproximadamente a 80 km de Manaus; e
- Área de Instrução JUMA, ao sul do rio Solimões.

Na BIBV (numa área aproximada de 4.380 m2), o 1º BIS se adestra em vida na selva (orientação, obtenção e preparo de alimentos vegetais e animais, água e fogo, construção de abrigos) e tiro.

A BIBR (numa área de cerca de 5.840m2), por sua vez, é utilizada para o adestramento em técnicas de combate e operações na selva: defesa de ponto forte, patrulhas, combate de resistência, operações ofensivas e defensivas.

A BIFC é a mais nova base de instrução do 1º BIS. Nela se desenvolvem também as atividades conduzidas pelo Comando Militar da Amazônia no que se refere à formulação doutrinária de operações na selva. Funciona ali o Centro de Avaliação e Adestramento Operacional da Amazônia.

A área de instrução JUMA, cercada pelos lagos Mamori e Juma, vem sendo utilizada para o adestramento da tropa em operações na selva.

O apronto operacional é requisito indispensável para a instrução militar na selva

O adestramento do 1º BIS em toda a Região Amazônica

Como integrante da Força de Ação Rápida, o 1º BIS tem se adestrado em todos os rincões da Região Amazônica, capacitando-se a operar em diferentes tipos de terreno. No último trimestre do ano de 2000, por exemplo, a unidade deslocou-se para os campos de Roraima, onde realizou exercício no terreno intitulado “Operação Roraima”. Para isso, efetuou um deslocamento administrativo de aproximadamente 800 km desde Manaus até Boa Vista.

Em Roraima, naquela ocasião, o 1º BIS tomou parte de um exercício de marcha para o combate e realização de tiro real, ao lado de tropas do 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e do 33º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva.

Muitos outros exercícios, incluindo os que são realizados em conjunto com as demais Forças Singulares, têm sido o cotidiano dessa unidade que forjou uma história marcada por sacrifícios, idealismo, integral sentimento do dever.

O 1º BIS, tendo como missão principal a preparação diuturna de seus quadros e a formação de reservistas aptos a atuar no ambiente de selva.

Infiltração na floresta Demonstração de um assalto ribeirinho

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