36º Aniversário da
Revolução Democrática de 31 de Março 1964 |
A história da humanidade faz-se mediante etapas graduais que às vezes
levam tempo para ser compreendidas. O corpo humano mobiliza suas defesas
para combater os agentes externos que ameacem seu equilíbrio. Também
a democracia de nossos dias provém da progressividade dos fatos históricos
e da luta da maioria dos brasileiros contra um totalitarismo materialista
que tentou desestabilizar o universo nacional, antes e durante a Guerra
Fria.
Às ruas vieram as famílias brasileiras. Conclamaram seus
filhos, representantes armados, que pusessem termo às perspectivas sombrias de uma
conjuntura de instabilidade política, de crise econômica e deterioração de valores
culturais e religiosos. Que pusessem fim às tensões sociais exacerbadas, ao ambiente de
desordem e insegurança nas cidades. Que afastassem os riscos de luta armada no campo, da
subversão disseminada em sindicatos e entidades estudantis. Que acabassem com as
sucessivas e ameaçadoras badernas ocultas por movimentos grevistas, tentativas de
doutrinação ideológica, quebra da hierarquia e da disciplina nas Forças Armadas.
Extinguir a insensatez e estabelecer condições favoráveis para o desenvolvimento do
Brasil motivaram a eclosão da Revolução Democrática de 31 de março de 1964.
Mantivemo-nos ao lado da razão. Respondemos ao clamor predominante da sociedade
brasileira.
Os efeitos da Revolução tiveram de estender-se no tempo como
contraponto à subversão estabelecida por quem obedecia a uma pátria fora do Brasil e
adotava uma bandeira diferente da nossa. O Estado viu-se obrigado a empregar as Forças
Armadas para defender-se, preservar as Instituições e apoiar o desenvolvimento que a
Nação almejava. Tivemos a coragem moral de restaurar a democracia apesar de submetidos
ao desgaste de um prolongado e indesejável conflito interno. Nem sempre foi possível
impedir a abertura de inevitáveis feridas. Na verdade, a duração e a intensidade das
medidas tomadas visaram a contrapor-se ao destempero dos que recusaram o diálogo, optaram
pelo radicalismo e pegaram em armas. Queriam, a todo custo, um regime contrário à
índole cristã e pacífica de nossa gente.
Apesar do ambiente conflituoso, os governos da Revolução
ampliaram e modernizaram o parque industrial brasileiro. Aperfeiçoaram sistemas de
energia, comunicações e transportes. Interiorizaram a prosperidade desenvolvendo
regiões afastadas dos grandes centros. Ampliaram e democratizaram a educação e o
ensino. Reduziram com medidas efetivas o analfabetismo. Conduziram o País ao respeitável
grupo das grandes economias mundiais, como resultado da obtenção de altas taxas de
crescimento econômico. Restauraram a normalidade democrática mediante um processo
racional de engenharia política que culminou com a promulgação da Lei da Anistia
uma incontestável prova de reconciliação e desarmamento de espírito.
Permanecemos hoje unidos. Como sempre, militares e civis
sociedade brasileira. Juntos aprendemos com acertos e equívocos do passado. Estamos
prontos para lidar com os cenários do próximo século. Pacientes, solidários e
perseverantes, dedicamo-nos, no presente, à construção do futuro que legaremos às
próximas gerações.
O tempo e a história, sábios, isentos e avessos
a paixões, dizem que nada foi em vão. Fizemos a nossa parte com o
mesmo espírito pacificador de Caxias, que, no século passado, evitou
a fragmentação do território e promoveu a união de brasileiros separados
por profundas divergências políticas. Do mesmo modo, pacificamos a
Nação. Mais uma vez, exercitamos a conciliação e a reflexão. Missão
cumprida! Continuamos dedicados à preparação de nossos quadros para
bem cumprir a missão primordial que será sempre a defesa da
Pátria.
Revolução de 31 de março de 1964:
a história que não se
apaga nem se rescreve.
Manifestantes na Marcha da Vitória, a
2 de abril de 1964, apoiaram as forças
militares que fizeram a Revolução
de 31 de março de 64
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