Brasília-DF - Ano XXIX - Nº 173 - Jan/Fev/Mar 2002
Parque Histórico Nacional dos Guararapes
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| Visão do Parque em quatro direções |
Os Montes Guararapes um conjunto de três elevações,
separadas por grotões estreitos, foram palco de duas batalhas (a primeira,
em 19 de abril de 1648, e a segunda, em 19 de fevereiro de 1649) que abriram
caminho para a rendição do invasor holandês em 1654, na
Campina do Taborda. Isso pôs fim a três décadas de ocupação
batava no saliente litoral nordestino. Testemunhas mudas, os montes assistiram
à primeira manifestação de nossa nacionalidade e de nosso
Exército Brasileiro.
A saga heróica e vitoriosa das três raças formadoras
de nossa gente o branco portu-guês, o negro africano e o índio
nativo nas sangrentas lutas travadas contra os invasores de nosso solo
pátrio, na primeira metade do século XVII, não podia
ser esquecida. Os combatentes do "Exército Libertador"
Barreto de Menezes, Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros, Henrique Dias
e Felipe Camarão foram denominados "Patriarcas da
Força Terrestre", justo reconhecimento às suas qualidades
militares e heroísmo na resistência e expulsão do inimigo.
Para eternizar esse feito memorável de nossos antepassados foi criado,
em 1971, o Parque Histórico Nacional dos Guararapes (PHNG).

O PHNG está localizado no distrito de Prazeres, município de
Jaboatão dos Guararapes (PE), distando 14 km ao sul do centro de Recife.
Lá se encontram todos os grandes marcos dos combates: os Montes Guararapes;
a Estrada da Batalha; o Portão Monumental e o Corpo da Guarda; o teatro
de operações "Matias de Albuquerque", onde ocorreram
os principais acontecimentos das invasões holandesas; o bosque do Pau-Brasil;
a Praça dos Canhões e a entrada do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

As três elevações que constituem os Montes Guararapes
são:
- Monte do Telégrafo assim chamado porque, no ano
de 1817, o governador Luíz do Rego mandou colocar uma torre
de sinais de transmissão de notícias para o Recife e para
o Cabo.
- Monte do Outeiro constituído de duas cotas gêmeas.
Sobre a de oeste, situa-se a
Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, santuário mandado erigir, em
1656, por Francisco Barreto de Menezes, em ação de
graças pelas duas batalhas dos Guararapes por ele vencidas.
- Monte do Oitizeiro o maior no sentido norte/sul. Na sua
extremidade sul, encontra-se o célebre Boqueirão. Na época
das batalhas, o Boqueirão era uma estreita passagem formada ao sul
por alagados, contendo mais a oeste uma restinga de mato e, ao norte, no
sopé do Monte do Oitizeiro, árvores esparsas.
Entre o Morro do Oitizeiro e o Morro do Outeiro localiza-se o Córrego
da Batalha, palco das sangrentas batalhas dos Guararapes.
Em 1996, foi emitida pelo então ministro do Exército a diretriz
que regula as ações do Exército Brasileiro no processo
de revitalização do Parque Histórico Nacional dos Guararapes
e foi elaborado, pela 7ª Região Militar e 7ª Divisãode
Exército, juntamente com a coordenadoria regional do IPHAN, o Plano
Diretor do PNHG, que deu início à construção do
muro de contenção para delimitar a Zona de Preservação,
impedida de ser urbanizada a fim de manter o patrimônio histórico-cívico
nacional.
A delimitação da área do Parque atividade realizada
com o auxílio financeiro do Ministério do Exército, do
Ministério da Cultura e da Fundação do Banco do Brasil
foi realizada pela 3ª Divisão de Levantamento com o apoio
do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado. Foi finalizada em 14
de novembro de 1997, com a conclusão de que restavam ao PNHG somente
80 dos 300 hectares iniciais.
O PNHG tem servido de abrigo a diversas manifestações de caráter
cultural. Dois simpósios já foram realizados para a discussão
de tópicos sobre essa passagem heróica de nosso povo; e ali
foram encenadas, em evento aberto ao público, as Batalhas dos Guararapes.
Competições despor-tivas, espetáculos retratando os acontecimentos
ocorridos durante a ocupação holandesa e a visitação
de escolas que se aproveitam da estrutura ali montada para aprender um pouco
nossa história são atividades comuns hoje no PNHG e que demonstram
sua necessidade de preservação.
As verdadeiras raízes do Exército estão fincadas nos
Montes Guararapes, a partir da constituição do "Exército
Libertador" que derrotou os holandeses, tornando-se a "célula-mater"
da Força Terrestre do Brasil. Tanto que, em 1945, a Força Expedicionária
Brasileira, ao retornar da Itália, ali depositou os louros da vitória,
mais precisamente no Morro do Outeiro, no local conhecido como "Praça
dos Canhões". Na ocasião, assim se expressou o marechal
Mascarenhas de Moraes:
"Nestas colinas sagradas, na batalha vitoriosa contra o invasor, a Força
Armada do Brasil se forjou e alicerçou, para sempre, a base da Nação
Brasileira".
Os Montes Guararapes, guardiões eternos das históricas lutas
travadas por luso-brasileiros contra os invasores holandeses, estão
preservados para sempre com a criação do PNHG.
Texto e fotos: Colaboração do Cel Rosty/COTER
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