Revista Verde-Oliva
 

Brasília - DF - Ano XXXIII - Fevereiro 2007 - Edição Especial

CENÁRIOS PROSPECTIVOS

O Exército Brasileiro é uma organização cujo gerenciamento demanda complexa atividade de planejamento. As missões atribuídas a ele exigem permanente estado de prontidão, condição esta que não se adquire pelo preparo em meses ou poucos anos. Daí vem a certeza de que o voluntarismo, expresso pelo entusiasmo e pela dedicação tão característicos do espírito militar, não é suficiente para assegurar êxitos ao Exército. Na realidade, só há efetividade nos resultados em instituições de natureza e dimensão semelhantes às do Exército quando esses decorrem de ações inseridas em conceitos amplos como política, estratégia e doutrina, voltados para o futuro. É assim que surge a idéia de que o futuro começa agora e que não há espaço para improviso ou amadorismo, pois a Nação jamais aceitará o despreparo para os eventuais desafios que suas Forças Armadas tenham de enfrentar.

Pensando na crescente necessidade de se antecipar aos desafios do futuro, o Comandante do Exército emitiu diretrizes que orientaram ações do Estado-Maior (EME).

Delas resultou a criação, em julho de 2003, do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx), com a tarefa principal de empreender estudos prospectivos que indiquem opções a seguir em direção ao futuro. Não se trata de um órgão para reflexões sobre temas genéricos, mas sim voltado para estudos que resultem em propostas pragmáticas de políticas, estratégias e metas.

Durante 2004, embora ainda em fase de implantação, o Centro participou, no Ministério da Defesa, da elaboração dos cenários prospectivos que fundamentaram a concepção da Política de Defesa Nacional aprovada em 2005. Nesse mesmo ano, o Exército tomou a iniciativa de elaborar cenários, com foco na Força Terrestre, tendo como horizonte o ano de 2022. Para essa empreitada, organizou-se um Grupo de Controle, com oficiais representantes das Subchefias do Estado-Maior, dos Órgãos de Direção Setorial e dos Órgãos de Assessoramento do Comandante do Exército, isto é, do Centro de Comunicação Social do Exército, do Centro de Inteligência do Exército e da Assessoria Especial do Gabinete. Sua estrutura visava assegurar a representatividade e o reconhecimento organizacional, a fim de que os resultados pudessem ser percebidos como produto de toda a organização.

Fruto desse esforço, ao final de 2005, já estavam elaborados o diagnóstico sobre o Exército e o ambiente externo (atores e variáveis) que o envolvem, e três cenários básicos (mais provável, de tendência e ideal), denominados "Cenários EB/2022".

O cenário ideal é o mais favorável ao Exército e corresponde à opção feita pelo Comandante em face de cada evento exposto. O cenário de tendência retrata a perspectiva de continuidade histórica dos fatos relacionados a cada evento. Já o mais provável espelha a ocorrência visualizada por mais de duzentos peritos consultados, segundo o método anteriormente assinalado.

Os cenários são descritos pela possibilidade de ocorrência (ou não) de dez eventos julgados relevantes para o destino de uma organização como o Exército, tais como crescimento da participação no Orçamento Geral da União, revitalização da indústria brasileira de defesa, influência da opinião pública, possibilidade de atividades terroristas em território brasileiro, entre outros. Esses eventos reúnem uma enorme série de variáveis e geram uma profunda reflexão, útil para alimentar o processo de planejamento estratégico da Instituição.

O trabalho não se resumiu aos cenários. Foram levantados atores que influem naqueles eventos e que afetam diretamente a gestão do Exército, merecendo, por isso, contínuo acompanhamento. Além disso, iniciou-se o esboço de uma série de medidas de curto (até o final de 2007), médio (até 2015) e longo (até 2022) prazos, para serem consideradas por ocasião da atualização do Sistema de Planejamento do Exército.

Em 2006, o CEEEx programou agenda de trabalho que compreendeu a realização de três simpósios e a continuação do monitoramento dos cenários levantados no ano anterior. Os critérios de seleção dos temas dos simpósios estão associados à relevância de questões estratégicas incluídas nos Cenários EB/2022.

Em todos os simpósios, criou-se a oportunidade para que fosse ouvida a voz do meio externo ao EB. Daí a constante presença de professores universitários, dos Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, das Relações Exteriores e da Defesa, além de especialistas autônomos. Após ouvi-los, o EME manifestou o posicionamento do EB diante de cada situação-problema.

 Fundamentado nos conhecimentos coletados naqueles simpósios e em estudos complementares, o Grupo de Controle, em reuniões de trabalho, tem apreciado, por monitoramento, a evolução da situação no que diz respeito ao posicionamento de atores, e revisado medidas levantadas em 2005, a fim de incluí-las no planejamento estratégico do Exército, visando a definir as etapas gerenciais que o EB terá de cumprir para demonstrar à sociedade brasileira a efetividade de seus resultados.

Em resumo, todo o trabalho na área de estudos prospectivos coordenado pelo EME, durante 2005 e 2006, teve por objetivo propor caminhos práticos (políticas e estratégias) para que o Exército Brasileiro possa seguir no cumprimento de sua destinação constitucional: servir à Nação.

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