3 de julho de 2009 (sexta-feira)


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02 Jul 09

Tropa do estado em ação

Ana Paula Santos

 

 

Depois de assumirem o posto de sargento temporário na 7ª Região Militar - 7ª Divisão de Exército -, os atletas Yane Marques, Larissa Lellys, Paula Baracho, Cecília Frej, Gustavo Fortuna e Paulo Pontes estão encarando o primeiro desafio de farda. Até o próximo dia 6, eles estarão defendendo o Comando Militar do Nordeste nos VII Jogos Marciais do Exército, em Brasília-DF.

Para o pessoal da natação (Paula, Gustavo e Paulo), a competição não terá grandes novidades. É cair na água e buscar um lugar no pódio. E foi isso que eles fizeram. Ontem, Gustavo Fortuna alcançou o topo na prova dos 100m costas, com o tempo de 1min02s17, enquanto Paulo garantiu a medalha de bronze nos 100m peito (1min13s56). Paula Baracho não deixou por menos e colocou as mulheres do comando militar em primeiro na prova dos 50m costas, com 30s76.

Já Larissa e Yane, do pentatlo moderno, não participarão do circuito completo da modalidade. Vão ficar restritas às provas de natação e corrida (5km). É que o pentatlo militar tem pecualiaridades que as atletas desconhecem. "São cinco provas também, mas digamos que são mais inusitadas do que as convencionais. Para a gente são atípicas, mas vai ser joia. Sem falar que vamos nos integrar com os outros atletas", confessou Larissa, que vai nadar os 50m borboleta e os revezamentos 4 x 50m livre e medley.

Enquanto o pentatlo moderno intercala as provas de esgrima, natação, equitação, tiro e corrida, no exército o somatório de pontos tem início logo com o lançamento de granada. Espera aí, lançamento de granada? Calma, a arma estará inerte. "Esta prova nada mais é que um peso de 400 gramas sendo atirado. Esta prova consiste em duas partes. Na primeira, exige-se precisão dos concorrentes, que vão lançar o peso nas distância de 20, 25, 30 e 35 metros. Na segunda parte, a meta é lançá-lo o mais longe posssível", explicou major Júnior, chefe da equipe de atletismo.

E as diferenças não param por aí. A natação entre os militares é conhecida como utilitária. Exige além das braçadas de 50 metros, a passagem por obstáculos que são colocados na piscina, tais como troncos flutuantes, jangadas e mesas. No pentatlo moderno, que é uma modalidade olímpica, o tiro é feito com pistola de ar comprido. Já nos Jogos Marciais, os competidores têm que encarar disparos de fuzil. "São provas estritamente militares e não olímpicas. Assemelham-se, mas a exigência é bem maior", acrescentou major Júnior.

Na corrida, denominada de rústica, os inscritos percorrem 8km, enquanto na forma olímpica do pentatlo o trajeto é de 3km (a cada 1km, o atleta intercala com a prova do tiro). Por fim, a pista de pentatlo militar, conhecida também por pista de obstáculos. "São 500 metros de percurso, onde o atleta tem 20 obstáculos pela frente. Entre eles aparecem escada, fosso e desafios que testam o equilíbrio", comentou o militar.

Em sua primeira participação, ontem, Yane Marques já conquistou o ouro nos 50m peito, com o tempo de 38s11.

 

 

Menos casos de dengue no Recife

 

Recife está cada vez mais distante de um risco de epidemia de dengue neste ano. Caíram em 85% o número de notificações e em 94% os registros de casos confirmados da doença. Esse foi o resultado do balanço divulgado ontem pela Secretaria de Saúde do Recife. De janeiro a junho deste ano, foram registrados 981 casos suspeitos contra 6.941, no mesmo período do ano passado. O número de contaminados pelo Aedes aegypti somam 166, enquanto em 2008 foram 6.941. Ainda no ano passado, a dengue hemorrágica atingiu 18 pessoas. Em 2009, há um caso sendo investigação.

De acordo com a Secretaria de Saúde, foram realizados dois voos panorâmicos sobre a cidade. As ações identificaram 52 pontos de focos do mosquito. O Ibura lidera o ranking com 56 casos notificados. Nos bairros de Dois Unidos (51), Iputinga (49), Cordeiro (48), Várzea (40), Cohab (38), Nova Descoberta (37), Boa Viagem (34), Campo Grande (34) e Campina do Barreto (34) também foram encontrados focos da dengue. Com relação aos casos confirmados, Várzea, Campo Grande e Boa Viagem apresentam 16, cada. Seguido de San Martin, com 15.

"Estamos na situação de diminuição de risco de epidemia na cidade", afirmou o secretário de Saúde, Gustavo Couto. "O mosquito ainda circula na região. Por isso, determinados bairros necessitam de um controle mais intenso. Não podemos parar. Dengue é toda hora. Todo dia. Precisa de vigilância permanente", declarou.

Plano de ação - Para o mês de chuvas, época mais propícia para a proliferação do mosquito, a Secretaria de Saúde preparou um novo plano de ações. São 200 militares do Exército, 60 da Aeronáutica e 20 da Marinha trabalhando no combate ao mosquito. Outros 150 médicos e enfermeiros foram treinados para educar a população nos postos de saúde. As agências da Caixa Econômica Federal e casas lotéricas receberão 250 cartazes educativos. O Corpo Bombeiros vai atuar nas áreas de difícil acesso do Recife.

 

Os Correios também vão ingressar na equipe. "São 22 unidades envolvidas na campanha, 600 carteiros e 400 atendentes. Serão distribuídas duas mil capas para caixa dágua nas áreas de risco de infestação vetorial. Além disso, dois laboratórios estão montados na agência central dos Correios para atender a população até hoje", disse o diretor regional dos Correios, Pedro Mota. Os carteiros vão estar identificados com braçadeiras e irão distribuir 10 mil folders em todas as residências.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Recife, durante os seis primeiros meses deste ano 956.884 imóveis foram visitados, outros 713.563 trabalhados e 238.502 fechados. O número de imóveis recusados foram 4.819 e aqueles notificados e vistoriados foram 1.357. Ainda segundo a secretaria, 322.524 criadouros foram tratados e 66.485 eliminados. No Brasil, a incidência da dengue é de 121,9 pessoas para cada 100 mil habitantes. Em Pernambuco é de 66,9. E no Recife, 10, 2.

 



 

 

OAB e AMB veem inconstitucionalidade em ‘toque de recolher’

 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ainda não recebeu qualquer pedido para que se manifeste sobre o toque de recolher de crianças e adolescentes decretado em alguns municípios brasileiros, mas o presidente da Comissão Nacional de Legislação da entidade, Marcus Vinícius Furtado Coelho, acredita que, caso seja provocada, a OAB pode entrar com uma ação civil pública contra as portarias, que seriam inconstitucionais.

– O juiz não tem essa competência – explica Furtado. – Essa matéria tem que ser regulamentada por lei municipal. Se o juiz da infância quer as crianças recolhidas, deve provocar a câmara municipal. Se formos procurados, é provável que façamos algo, porque é flagrante a inconstitucionalidade do ato judicial. Mas qualquer cidadão pode protestar contra as portarias por meio de um mandado de segurança.

Negligência

Vice-presidente para Assuntos da Infância e da Juventude da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o juiz Francisco Oliveira Neto confirma a inconstitucionalidade das portarias e garante que muitos juízes tomam essa atitude respaldados pelos pais, que "não querem ter a responsabilidade de educar seus filhos e ficam aliviados ao verem a tarefa sendo exercida pelo Estado".

À frente da Vara da Infância e da Juventude de Florianópolis, Oliveira Neto diz que é comum ser procurado por alguns pais quando ele determina a idade mínima para a entrada de menores desacompanhados em eventos na cidade.

– Quando fixo a idade mínima em 14 anos, muitos pais me procuram e reclamam porque vão ter que dizer não para os filhos, uma vez que eles já têm a idade permitida – relata o magistrado. – Toque de recolher é um absurdo. Qual o problema de um adolescente estar até mais tarde na rua? Estar na rua não indica crime. Não é isso que vai reduzir a violência. E eles nem são os principais autores de crimes nesse país.

Para Oliveira Neto, o apoio da sociedade a este tipo de medida mostra preconceitos contra as crianças e adolescentes. Preconceito esse já sofrido pelos menores que vivem nas ruas.

– As crianças que estão nas ruas de uniforme indo e vindo são aceitas, mas sempre foi questionado porque as carentes não são recolhidas. No fundo, as pessoas não querem ver pobres nas ruas. (L.A.)

 



 

 

Sargento do Exército e um caminhoneiro foram denunciados por corrupção na Operação Pipa. O Ministério Público comprovou que o militar cobrava propina para cadastrar carros-pipa

 

O esquema de propina descoberto na Operação Pipa, programa do Governo Federal que distribui água potável para atingidos pela seca no Nordeste, chegou à Justiça Militar no Ceará. No último dia 30, o Ministério Público denunciou, por corrupção ativa e passiva, o 3º Sargento do Exército Adriano José Almeida Ferreira, 31, e o dono de um caminhão-pipa, José Anicedes Machado de Oliveira, 44.

O 3º sargento Almeida, segundo a denúncia do Ministério Público Militar (MPM) e o Inquérito Policial Militar (IPM), cobrava propina para cadastrar carros-pipa usados para distribuir água em comunidades do município de Pedra Branca (a 305 km de Fortaleza), localizado no Sertão Central. Os militares acusados ganhariam até R$ 6 mil por mês com a fraude. Além de Almeida, há outros militares investigados.

Em um caso comprovado, o pipeiro José Anicedes denunciou que, em dezembro de 2008, recebeu uma proposta de suborno do sargento Almeida. Foi durante uma vistoria dos carros-pipa, coordenada por militares do 23º Batalhão de Caçadores (BC) do Exército. O veículo de Anicedes seria habilitado na Operação Pipa mediante o pagamento de R$ 2 mil ao militar, que é lotado no 23º BC em Fortaleza.

Fechado o negócio, o caminhoneiro comprovou que depositou na conta-corrente do militar um cheque no valor de R$ 1.400 e R$ 600 em espécie. Durante as investigações do IPM, o sigilo bancário do sargento Almeida e do pipeiro Anicedes foi quebrado e confrontado. Os documentos comprovam os dois depósitos feitos pelo caminhoneiro na conta-corrente do militar, no dia 17 de dezembro de 2008.

Em depoimento, José Anicedes ainda revelou que o cheque de R$ 1.400 havia voltado por saldo insuficiente. O sargento Almeida, apesar de ter embolsado R$ 600, descumpriu o acordo de incluir o pipeiro em rota da Operação Pipa. Também foi constatada a devolução de um cheque pertencente ao caminhoneiro.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, a quebra do sigilo bancário do sargento aponta ainda que vários depósitos foram feitos na conta do militar. Coincidentemente, os valores estão registrados no período em que o denunciado atuava na Operação Pipa. Almeida, informa a Promotoria, tentou construir um álibi declarando que era sócio do pipeiro na propriedade do caminhão. Para isso, teria ligado várias vezes para José Anicedes, que rechaçou a proposta.

O POVO foi à casa de José Anicedes na tarde de ontem. O pipeiro afirmou que não tinha sido comunicado oficialmente e que só falaria sobre o caso na Justiça Militar. Outros militares e civis serão denunciados pelo MPM.

 

 

ESQUEMA NA OPERAÇÃO PIPA

Entenda como funcionava a fraude na Operação Pipa, coordenada pelo Exército através do 23º Batalhão de Caçadores

1 - Segundo denúncia do Ministério Público Militar, o 3º sargento do Exército Almeida e outros militares cobravam até R$ 2 mil de propina para cadastrar caminhoneiros na Operação Pipa. Os pipeiros se candidatavam para distribuir

água potável, em 2008, aos atingidos pela seca em Pedra Branca (CE).

2 - Em um dos casos, após a quebra do sigilo bancário dos denunciados, ficou comprovado que o pipeiro José Anicedes depositou na conta do sargento Almeida um cheque de R$ 1.400,00 e R$ 600,00 em espécie.

3 - A Operação Pipa, coordenada pelo 23º Batalhão de Caçadores (Fortaleza), foi investigada através de inquérito aberto por determinação da 10ª Região Militar. No relatório final, publicado com exclusividade pelo O POVO, são apontadas falhas de planejamento, execução e fiscalização do Exército

4 - Além da descoberta da cobrança de propina, também foi provado que alguns pipeiros chegaram a distribuir água de açudes imprópios para o consumo humano nas comunidades. A Operação Pipa movimentou em 2008, no Ceará, mais de R$ 3 milhões segundo a 10ª Região Militar. Uma auditoria contábil e financeira está em andamento nas contas do Escritório da Operação Pipa.

 

BATE-PRONTO

O POVO tentou fazer uma entrevista ontem, por telefone, com o 3º Sargento do Exército, Adriano José Almeida Ferreira, denunciado pelo Ministério Público Militar. Porém, ele disse que não falaria a respeito e pediu que não lhe ligassem mais.

O POVO - Alô, é o Almeida?

Adriano José Almeida Ferreira - Pois não. Quem é?

OP - Sargento, é do jornal

O POVO. A gente está fazendo matéria sobre a denúncia do Ministério Público Militar...

Almeida - Não, não... Quem lhe deu meu telefone?

OP - Consegui no quartel.

Almeida - Não quero falar nada. Você não me liga mais, por favor. Tá bom?

OP - O senhor não quer falar sobre o assunto?

Almeida - Não. Não quero que você me ligue mais.

OP - Pois não. A gente está ligando porque...

Almeida- Não autorizo o senhor a me ligar, não quero que me ligue. Fui bem claro?

OP - Então o senhor não quer falar sobre o assunto?

Almeida - Não. Tá bem?

OP - Tá bom.

Almeida - Até mais, tchau.

 


 

Haiti mais seguro, mas ainda pobre

 

Porto Príncipe — Cinco anos depois do início das atividades da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil, o país caribenho vive com maior segurança. A situação política, ainda frágil, é considerada mais estável, contudo, a maioria de seus 9 milhões de habitantes continua a viver na mais absoluta miséria. Com 9 mil integrantes, a Minustah conseguiu tornar raras as cenas de carros em chamas e linchamentos que dominavam o Haiti e corriam o mundo em 2004, mas segurança não mata a fome e não dá emprego direto. Por isso, o atual equilíbrio é precário, e leva a ONU a manter sua missão como condição de sustentabilidade para que agências de desenvolvimento possam ajudar a erguer obras para saneamento básico, escolas e hospitais – medidas importantes para que a barbárie e a violência, ainda latentes, não voltem a explodir.

 

 

 

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Centro de Comunicação Social do Exército - Seção de Informações Públicas