21 de novembro de 2008 (sexta-feira)


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COMPLEMENTO
 


 



PORTO ALEGRE - RS


19 Nov 08

Exército usa búfalos como meio de transporte na Amazônia

 

Os soldados que patrulham a Amazônia estão descobrindo que os búfalos podem ser bons parceiros na selva. O Exército está usando os animais como meio de transporte em operações realizadas na floresta.

O animal compõe parte da paisagem amazônica desde o início do século passado. O búfalo se adaptou às várzeas onde pode se refrescar nas áreas alagadas. É um animal bastante rústico, que precisa de pouco trato.

Em uma fazenda de Itacoatiara (AM), o rebanho de 150 animais está sendo melhorado. A proprietária comprou dois reprodutores de raças diferentes. “Tanto faz produzir como vender para corte. Então, é dinheiro em pé”, afirmou Jussara Haddad. 

Bem adaptados à região e acostumados à tranqüilidade da fazenda, os búfalos enfrentam o difícil trabalho de ajudar a defender as fronteiras do país.

 

Uniforme militar

No Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus, o animal ganhou uniforme militar e serve ao Exército brasileiro. Os bezerros recebem treinamentos a partir de oito meses de idade para missões na Floresta Amazônica. E o animal não se intimida com os obstáculos que pode encontrar pela frente. Um rio não atrapalha a missão. O búfalo sabe nadar e ainda leva o soldado no lombo.

Alternativas foram experimentadas para o transporte dentro da mata, como cavalos e mulas, mas o búfalo tem características que fazem dele o melhor guerreiro de selva entre os animais testados. A pele grossa resiste bem às doenças comuns ao meio ambiente úmido e quente da selva. Na hora de comer, não é muito exigente e se alimenta de plantas da própria floresta. Além disso, é dócil e forte, capaz de carregar o equivalente ao próprio peso. “O soldado já tem um bom preparo físico, mas mesmo assim a sua mochila chega a pesar em torno de 25 a 30 quilos e se transforma em um obstáculo na selva”, afirmou o soldado do Exército Vílton da Silva.

Muitos dos animais são doados para o exército por criadores da região.



BELO HORIZONTE - MG


16 Nov 08

Miséria

Retrato de um país de dor

CARLA MENDES

ESPECIAL PARA O CB

 

A recente tragédia vivida na capital haitiana Porto Príncipe, com o desabamento de uma escola privada, que matou mais de 90 pessoas e deixou cerca de 150 feridos, soma-se a um cotidiano desolador do primeiro país das Américas a obter a independência. Situada em Pétion-Ville, o único bairro abastado da cidade, a escola La Promesse desabou, no último dia 7, durante o período de aulas, com aproximadamente 700 pessoas em seu interior, a maioria delas crianças. No trabalho de resgate, as equipes do Batalhão Brasileiro (Brabat) e da Companhia de Engenharia do Brasil no Haiti trabalharam intensamente por cerca de nove horas e conseguiram resgatar com vida quatro crianças que estavam presas nos escombros.

”Qualquer esforço meu para retratar a emoção dos militares envolvidos no resgate seria medíocre e não estaria à altura do que foi por eles realizado naquele dia”, disse o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, preferindo transcrever o relato apresentado pela capitã médica Carla Clausi, que comandou a equipe de resgate.

”Conseguimos salvar com vida, depois de um resgate dramático, quatro crianças haitianas, de seis e sete anos de idade, que se encontravam presas num túnel formado por vigas de concreto retorcidas e amontoadas, que corria o risco de colapsar a qualquer momento. Nada mais gratificante do que a liberação destas crianças sem qualquer necessidade de amputação de algum de seus membros! Nada mais gratificante do que as palmas dos haitianos junto aos seus gritos de ‘Viva Brasília’!”, contou a médica.

Brasília, entretanto, assim como a maioria dos brasileiros, desconhece a realidade do Haiti, a primeira república liderada por negros em todo o mundo e hoje sob a intervenção das tropas das Nações Unidas, comandadas pelo Brasil. Desconhece também o trabalho dos militares brasileiros que ajudaram a pacificar o país e que têm um papel fundamental na manutenção da estabilidade, garantindo a segurança e permitindo a revitalização das instituições. Desde o início da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), em Junho de 2004, após uma revolta de grupos rebeldes armados que levou à queda do presidente Jean Bertrand Aristide, o contingente brasileiro, formado por cerca de 1.200 militares, é trocado a cada seis meses.

Ainda que frágil, a pacificação do Haiti é uma realidade desde meados de 2007. Já não se vêem pelas ruas de Porto Príncipe cabeças decepadas ou corpos estripados, vítimas da violência das gangues. As pessoas circulam agora livremente, as escolas e as igrejas reabriram. À noite, quase nada funciona, porque, à exceção do bairro Pétion-Ville, onde vivem os ricos, não há luz elétrica em Porto Príncipe. Os seqüestros, que eram um meio de vida neste país onde mais de 80% da população vive com menos de dois dólares por dia, estão em queda. De uma média de 400 seqüestros por mês, hoje a Minustah contabiliza cerca de 10 casos .

Dos 8,6 milhões de habitantes do Haiti, 80% estão desempregados. Isso explica a existência de um comércio popular intenso nas ruas da capital, que funciona, entretanto, à base do escambo. A moeda local, o gourde, mal circula. Oferece-se toda a sorte de bugigangas nas feiras, mas os alimentos são escassos e caros.

No maior mercado de Porto Príncipe, denominado “Cozinha do Inferno”, o esgoto corre a céu aberto, contaminando verduras murchas e cenouras nanicas que são oferecidas por haitianos aparentemente indiferentes ao cheiro do lugar. As crianças mendigam pelas ruas o tempo todo, famintas, sem consciência do futuro sem perspectivas neste país de mais de 50% da população analfabeta.

 

Conjuntura desfavorável

Na avaliação do comandante do Batalhão Brasileiro, coronel Pedro Antonio Fioravante, “o Haiti é ainda um grande caldeirão a ferver e a ONU é a tampa”. O militar admitiu que a conjuntura interna, com a tragédia dos furacões que assolaram o Haiti este ano, e a internacional, com a crise financeira e a insegurança alimentar, são muito desfavoráveis ao país. Os rastros de destruição e desolação deixados pelos furacões Fay, Gustav, Hanna e Ike, há cerca de dois meses, associados à miséria do povo, configuram uma catástrofe humanitária no Haiti.

Na cidade de Gonaives, ao Norte, arrasada por dois furacões em setembro, mulheres disputavam, desesperadas, um lugar na fila de distribuição de ajuda humanitária. Quando a comida acabou, uma haitiana começou a comer mato. Outra atirou-se ao chão, na ânsia de juntar os poucos grãos que restaram. Mais de 400 pessoas morreram em Gonaives e 2/3 dos 350 mil habitantes da cidade ficaram desabrigados. Foram registrados casos de malária, desinteria, hepatite, tétano e tifo na região. Houve também muitas pessoas que tiveram infecção respiratória por causa do mau cheiro, fruto da decomposição de corpos e outras matérias orgânicas misturadas à lama e ao lixo.

Porto Príncipe só não sofreu enchentes mais graves este ano porque muitos canais entulhados de lixo tinham sido desobstruídos pelos militares brasileiros. “Se a Minustah não estivesse no país, seria um caos completo”, afirmou o comandante da Força Militar, general Alberto dos Santos Cruz. “O povo haitiano sabe disso e, por isso, não há resistências à presença das tropas estrangeiras”, completou.

A temporada dos furacões e tempestades tropicais, de junho a outubro, é um agravante à insegurança alimentar dos haitianos. A raiz desta insegurança está na combinação de uma agricultura de cortes e queima que degradou várias terras, juntamente com a decisão de importar alimentos a partir da década de 80, quando os preços eram baixos. A maioria dos haitianos ainda utiliza carvão e madeira como combustível e a conseqüência disso foi a destruição de 98% da cobertura vegetal nativa do país. Segundo a ONU, é preciso plantar um bilhão de árvores no Haiti.

O representante especial adjunto do secretário-geral das Nações Unidas no Haiti, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, afirmou que, assim como os furacões, os violentos protestos contra a alta dos preços dos alimentos, ocorridos em abril deste ano, também representaram um retrocesso para o país. Os acontecimentos de abril resultaram na destituição do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis e deixaram o Haiti quase cinco meses sem Governo. A crise só foi solucionada quando a nova primeira-ministra, Michèle Pierre-Louis, assumiu as funções no início de setembro, tarde demais para reverter a previsão de um crescimento negativo do Haiti este ano.



RIO DE JANEIRO - RJ


Fome se agrava no Haiti e 26 crianças morrem desnutridas

 

PORTO PRÍNCIPE - Trabalhadores humanitários no Haiti dizem que a crise de alimentos está pior no país caribenho A desnutrição matou pelo menos 26 crianças nas duas últimas semanas.

Max Cosci, da Organização Médicos Sem Fronteiras, diz que as crianças morreram na remota área de Baie d'Orange, no sudeste do país. O programa de alimentação das Nações Unidas afirmou que está enviando alimentos e remédios à região. As mortes aumentaram os temores de que a devastadora estação de furacões deste ano tenha agravado a crônica falta de alimentos no país mais pobre do Hemisfério Ocidental.

As tempestades mortíferas destruíram plantações e parte da agricultura e pecuária de subsistência, única fonte de alimentos para muitas famílias no campo. Cosci disse na quarta-feira que mais ajuda internacional é necessária e de maneira rápida. Ele definiu a situação como "extremamente frágil e perigosa".

 

 

Militares serão treinados para combater mosquito

 

O Ministério da Defesa disponibilizou ontem ao Ministério da Saúde 2.131 militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para ações de combate à dengue em todo o País. De acordo com o ministro Nelson Jobim, da Defesa, esses militares estão passando por um treinamento, mas já é certo que, além de campanhas educativas junto à população das cidades mais afetadas, eles vão atuar no combate ao mosquito que transmite o vírus da doença, conhecido como Aedes aegypti.

"Da minha parte, o que nós estamos fazendo é treinamento. Eles vão combater, fazer educação e limpezas", afirmou Jobim, que participou da abertura da 5ª Conferência do Forte de Copacabana - Segurança Internacional, um Diálogo Europa/América do Sul, realizado no Rio.

 

 

Carlos Chagas

 

Não podode ser verdade


Atribuiu-se ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comentário de que os comandantes das Forças Armadas não tolerariam a indicação de um determinado cidadão para ministro do Tribunal de Contas da União.

Não pode ser verdade. Primeiro porque o ministro da Defesa não possui qualquer ingerência sobre o TCU, órgão auxiliar do Congresso Nacional. Depois, porque os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica há décadas vêm mantendo conduta exemplar, dissociados por completo de questões políticas. Voltados para suas atribuições constitucionais, em momento algum admitiriam interferir em qualquer setor da administração. Não pode ser verdade, mesmo.


Águas evaporadas


A passo de tartaruga, arrastam-se as obras do desvio das águas do rio São Francisco. Mesmo sem a crise econômica, do jeito que as coisas andam, apenas no próximo século um braço do Velho Chico chegaria ao Rio Grande do Norte e outros estados do Nordeste.

Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, garante que os cronogramas vêm sendo cumpridos, mas essa é sua obrigação, mais como ministro, menos como baiano, pois seu estado natal rejeita o desvio, preferindo as igualmente vagarosas obras de revitalização do rio.

Melhor faria o presidente Lula se anunciasse o adiamento do projeto, pois se arrisca a não cumprir a promessa de encerrar seu segundo mandato com o São Francisco irrigando por completo a região nordestina. Porque será cobrado, quando acirrar-se a campanha sucessória. Ele e, quem sabe, a ministra Dilma Rousseff, por coincidência a mãe do Programa de Aceleração do Crescimento.

  



Governo quer concluir Plano Nacional de Defesa este ano

 

O governo pretende concluir a elaboração do novo Plano Nacional de Defesa até o final deste ano, afirmou hoje o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Na terça-feira, o ministro vai apresentar as linhas gerais do plano aos parlamentares. Na quinta-feira, terá encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais os ministros Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação).

"Depois disso, farei contato com os presidentes da Câmara e do Senado. E nós convocaremos então o Conselho de Defesa Nacional. Pretendemos fazer a convocação do conselho entre os dias 8 e 15 (de dezembro). Vamos terminar neste ano (o Plano Nacional de Defesa)", afirmou Jobim, após participar da 5ª Conferência do Forte de Copacabana, segurança internacional - um diálogo Europa-América do Sul, realizado num hotel no bairro de Copacabana, zona sul do Rio.

O ministro da Defesa afirmou que um dos objetivos do plano é criar uma indústria de defesa forte no País, com possibilidade de gerar desenvolvimento econômico. Jobim aproveitou o evento para defender a importância da criação de um Conselho de Defesa da América do Sul, sem a ingerência de norte-americanos ou europeus. Esse conselho, segundo Jobim, também teria como meta criar uma base industrial de defesa na América do Sul, com as fabricantes do setor fazendo troca de tecnologias.

 

 

Governo revê crescimento e pede corte de R$ 15 bi no Orçamento

 

O governo admitiu que a crise financeira provocou uma desacelaração do crescimento da economia brasileira, ao enviar ao Congresso Nacional, nesta semana, os novos parâmetros para o Orçamento 2009. A meta de crescimento da economia defendida pelo governo, até então de 4,5%, foi revista para baixo: 4%. É o que consta no documento enviado pelo Ministério do Planejamento ao Congresso. De acordo com o relator do Orçamento 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS), a mudança pede um corte de R$ 15 bilhões na previsão de gastos para o próximo ano.

O governo reviu também o preço do barril de petróleo de US$ 111,00 para US$ 76,37. A inflação, que havia sido estimada pelo governo em 4,5%, foi revista para 5,19%. Já o preço do dólar, que o governo esperava fechar o ano em R$ 1,71, ficará em R$ 2,04 pelas estimativas do governo. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro também foi revisto para baixo. O governo havia previsto um aumento de 4,5% para o PIB, mas a estimativa agora é de 4%.

Dos R$ 15 bilhões a serem cortados, R$ 8 bilhões referem-se à queda na arrecadação do governo federal e aproximadamente R$ 7 bilhões estão relacionados à diminuição dos royalties de petróleo, receita afeta a arrecadação dos estados e e municípios. “A gente está procurando fazer uma revisão de receita para avaliar o impacto disso tudo. O Ministério do Planejamento informou ou que o corte que deve ser feito é aquele que já estávamos estimando em R$ 15 bilhões, sendo R$ 8 bilhões para o governo federal e aproximadamente R$ 7 bilhões para os estados e municípios”, destacou o senador.

Os cortes, na avaliação do senador, não vão atingir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os programas sociais do governo, como o Bolsa Família, por exemplo. No entanto, Delcídio não garantiu que o orçamento das estatais será preservado.

“Vamos preservar o PAC e os programas sociais. Temos margem para fazer os cortes sem mexer na área social e no PAC. Vamos reavaliar as verbas de custeio e algumas áreas de investimentos dos outros ministérios, mas tentar preservar os investimentos porque, em um momento de crise como este, eles são muito importantes”, explicou o senador. “Em princípio não haverá cortes nos orçamentos das estatais. Em princípio, nós vamos mexer no orçamento fiscal do governo”, destacou.

Para o PAC estão previstos R$ 21 bilhões para o próximo ano. O programa abarca a maior parte das verbas de investimento previstas que somam R$ 39 bilhões. Fora o PAC são investimentos dos ministérios e das estatais. O senador acredita que há uma margem grande para se cortar no custeio e disse que será inevitável cancelar a realização de concursos públicos que estavam sendo planejados para diversas áreas do governo.

“O custeio tem um espaço muito grande, até porque existem ainda espaços como concursos públicos que podemos suspender. Temos condições de melhorar os gastos correntes em determinadas áreas. Há espaço para cortar nos investimentos e também no custeio”, disse o senador.

Quanto o salário mínimo, Delcídio garantiu que aumento previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada no meio desse ano, será preservado. “O aumento do salário mínimo também será mantido e deverá ficar em R$ 464”, garantiu.

 

 

Garibaldi: 'Há muito tempo o Executivo está extrapolando'

 

A devolução ao Palácio do Planalto da Medida Provisória 446/08, conhecida como a MP das Filantrópicas, não cria uma crise político- institucional com o governo, significando apenas uma prerrogativa do Legislativo de devolver uma iniciativa que não atendia aos pressupostos constitucionais de relevância e urgência. A opinião foi manifestada na manhã desta quinta-feira (20) pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves, logo que chegou ao Congresso.

"Essa medida provisória, além de inconstitucional, é inoportuna. E, a não ser que seja modificada, não temos outro caminho a não ser fazer o que fiz. Isso não pode ser objeto de manipulação pelo Executivo. Há muito tempo, o Executivo está extrapolando. Isso é uma coisa séria", disse o presidente do Senado.

Face à informação de que o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio, declarou que cabe agora ao Senado uma solução para as entidades filantrópicas, Garibaldi Alves disse que a Casa não tem condições de fazer isso.

"O Senado não tem nenhuma informação a esse respeito. Não tem nada a dizer às instituições filantrópicas. Quem tem os dados para a certificação delas é o governo. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania vai examinar minha decisão. O Plenário também vai. Enquanto isso, não podemos fazer nada, a não ser que surja a possibilidade de um entendimento, que teria que ser muito amplo e capaz de atender a todas as preocupações que foram levantadas e que me levaram a devolver a MP.

Perguntado se as declarações do ministro José Múcio não parecem um gesto de arrogância do governo, Garibaldo é categórico. "O ministro José Múcio é um homem de muito bom senso. A declaração pode ter sido levada pelo aspecto emocional. Ele sabe que, para dar desdobramento a essa MP, não se poderá deixar de contar com o Legislativo, que é o poder que detém as informações", disse.

Questionado sobre o fato de que o governo estava enviando ministros ao Congresso, para tentar obter um entendimento em torno dessa MP, Garibaldi afirmou que, em sua opinião, estava acontecendo exatamente o contrário.

 

"Fizemos um apelo para que a MP fosse retirada, revogada e para que o governo enviasse outra. Isso foi solicitado. Entretanto, o governo não atendeu. Quer, a todo custo que prevaleça a MP", afirmou.

 

 

Equador vai à Justiça para não pagar US$ 273 milhões ao BNDES

 

O Equador entrou com uma ação em Paris para evitar o pagamento de US$ 243 milhões ao BNDES, que financiou a construção de uma hidrelétrica pela Odebretch, expulsa do país por descumprimento de contrato, disse nesta quinta-feira o presidente Rafael Correa.

Na quarta-feira "iniciamos o processo jurídico para denunciar o crédito à Odebretch" na Câmara de Comércio Internacional de Paris, anunciou o mandatário durante a divulgação de um relatório sobre a dívida externa.

A empresa financiou a construção da hidrelétrica San Francisco, que interrompeu suas operações por falhas técnicas apenas um ano depois da conclusão da obra. Devido a isso, Correa decidiu expulsar a Odebrecht.

Segundo o governo do Equador, o dinheiro foi fornecido à construtora pelo BNDES, e Quito considera que a dívida não é de sua responsabilidade.

Correa havia anunciado que o Executivo processaria civil e criminalmente por "fraude" a companhia por esta ter se negado a indenizar o Estado por descumprimento de contrato.

Além da expulsão, Correa ordenou o embargo dos bens da Odebretch e rescindiu todos os seus contratos de US$ 600 milhões.



RIO GRANDE - RS


Julgamento remarcado para 10 de dezembro

Cyneida Correa

 

O julgamento da Petição (PET) 3388, sobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, será retomado somente no dia 10 de dezembro pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. A data tinha sido antecipada, mas foi novamente remarcada ontem.

Com a liberação do processo pelo ministro Menezes Direito, que pediu vista dos autos anteriormente, a votação havia sido marcada para a próxima quarta-feira, 26. No entanto, ao final da sessão plenária de quarta-feira, a data foi reservada para a continuação do julgamento do Inquérito 2424, suspenso ontem, transferindo o caso Raposa Serra do Sol para dezembro, conforme anunciou o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.

A análise da ação protocolada pelo senador Augusto Botelho (PT) e depois assinada também pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB), pedindo a anulação da portaria que definiu a demarcação contínua da reserva, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito no último dia 27 de agosto.

Antes de o julgamento ser suspenso, apenas o relator do processo, Carlos Ayres Britto, havia votado. Ele defendeu em seu voto a demarcação homologada pela União em 2005, que definiu limites contínuos à reserva e a expulsão dos não-índios que permanecem na terra indígena.

O voto do relator foi no sentido de que qualquer demarcação de reserva indígena deve ser sempre contínua, já que somente tal "formato" atende plenamente ao mandamento constitucional segundo o qual "são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens" (Artigo 231).

De acordo com a Assessoria de Imprensa do STF, o ministro Menezes Direito já liberou o processo para julgamento e, embora o Supremo ainda não tenha definido o horário de início da sessão, a expectativa é que o julgamento tome o dia todo até que o plenário conclua a análise da ação.

Na ocasião, ao explicar por que pedira vista, Menezes Direito ressaltou que o tema era "extremamente complexo" e que gostaria de melhor refletir sobre a questão, principalmente em face de "perspectivas extremamente ricas" apresentadas no voto de Ayres Britto e nas sustentações orais das partes em litígio. Os produtores de arroz de Roraima, que dizem representar 6% da economia do Estado, teriam que abandonar suas plantações, que ocupam as melhores áreas da reserva.

No entanto, ainda há a possibilidade de o julgamento ser novamente interrompido caso algum ministro resolva pedir vista do processo. Em jogo está a manutenção da demarcação contínua da Raposa Serra do Sol, homologada pelo presidente Lula da Silva (PT) em 2005. De um lado, os índios defendem que a portaria assinada pelo presidente seja mantida e lutam pela proibição da presença de não-índios na reserva. De outro, os plantadores de arroz pretendem manter as terras onde cultivam o produto.

Em encontro com o ministro Gilmar Mendes, no começo do mês, o governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), alertou que uma eventual demora na conclusão do julgamento poderia acirrar o clima de conflitos entre índios e plantadores de arroz. Anchieta é contra a demarcação contínua da reserva e a favor da permanência dos arrozeiros na área hoje pertencente à Raposa Serra do Sol.



SÃO PAULO - SP


Lula e Medvedev se encontrarão na próxima semana

 

SÃO PAULO, 21 de novembro de 2008 - O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, inicia na próxima segunda-feira uma visita de três dias ao Rio de Janeiro. De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, o chefe de governo russo terá reuniões com empresários, com o presidente Lula e com o governador fluminense, Sérgio Cabral.

Na pauta do encontro de Medvedev com Lula, segundo o Itamaraty, há a discussão de temas de cooperação bilateral e de questões internacionais, como a crise financeira. No que se refere à parte comercial, a comitiva russa contará com os ministros da Energia e Agricultura e com dirigentes da agência espacial russa, Roscosmos, e das companhias petrolíferas Gazprom e Lukoil.

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, disse ontem que deve se encontrar com Medvedev, já que os russos pretendem vender equipamentos militares ao Brasil, como os caças Sukhoi. Ele adiantou, no entanto, que só comprará da Rússia, ou de qualquer país, se a negociação envolver a transferência de tecnologia.

"Só se fará alguma coisa, em termos de aquisição de instrumentos de defesa, como aviões, se, e somente se, isso também importar na capacitação do Brasil produzir um avião de quinta geração em terras brasileiras, por indústrias brasileiras. Obviamente, elas podem ter associação com indústrias estrangeiras, mas sob controle de capital no Brasil. Queremos a importação de inteligências e tecnologia e não, propriamente, da parte bruta do trabalho", disse Jobim.

De acordo com a agência de notícias oficial russa, Itar-Tass, a visita ao Brasil faz parte de um roteiro que inclui Portugal, Cuba, Venezuela e Peru. A visita a Caracas (capital da Venezuela), em especial, coincidirá com a chegada do navio cruzador nuclear Pedro, o Grande, que realizará manobras militares conjuntas com as forças armadas venezuelanas.

Segundo informou a Itar-Tass, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, disse que os exercícios militares, os primeiros na região desde o fim da Guerra Fria, não têm por objetivo agredir nenhum país em especial, mas apenas aumentar a segurança da Rússia e Venezuela.

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse não acreditar que a inclusão do Brasil em um roteiro de viagem que também inclui o início dos exercícios militares poderá gerar mal-estar no cenário internacional.

"Não vejo por que (poderia ser gerado o mal estar). A Rússia é um dos países importantes, faz parte do G8 e participou da reunião do G20. É uma grande potência mundial. Nós temos que perder o "complexo de vira-lata", somos um grande país e temos nossas relações com quem nós quisermos. Para nós é uma grande oportunidade", afirmou.



JOÃO PESSOA - PB


Comandante do Exército recebe homenagem da AL

 

O comandante do Exército Brasileiro, general Enzo Martins Peri, recebeu, na tarde de ontem, a Medalha e o Diploma Epitácio Pessoa. A solenidade de entrega das homenagens aconteceu no auditório do 1º Grupamento de Engenharia de Construção da Paraíba, em João Pessoa. As comendas, outorgadas pela Assembléia Legislativa da Paraíba, são entregues às pessoas que se destacam no Estado por prestarem serviços relevantes à população paraibana.

“Ao receber essa Medalha e o Diploma, eu sinto que o meu trabalho, quando estive servindo pelo Exército em João Pessoa, é reconhecido pela sociedade e autoridades legislativas. Na Paraíba, eu também tenho amigos que me acompanharam durante os anos em que prestei serviços a este Estado. Essas homenagens, eu recebo em nome do Exército Brasileiro, que a instituição a qual eu represento no país”, declarou Enzo Martins Peri.

O comandante do Exército Brasileiro serviu no 1º Grupamento de Engenharia nos anos de 1983, 1989, 1995, 1997 e 1998.

Na tarde de ontem, o general e mais 55 pessoas, como o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, foram agraciadas com a Medalha do Mérito Judicário Epitácio Pessoa. A honraria é concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 13ª Região. Segundo a presidente do TRT, juíza Ana Clara Marojá Nóbrega, Enzo Martins Peri recebeu a medalha, porque ele prestou serviços à Justiça do Trabalho na Paraíba. Entre eles, a doação de terrenos para a construção das instalações do Tribunal na Paraíba.

 

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